Santa Casa faz segundo transplante cardíaco do ano
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quinta-feira, 05 de abril de 2012
Davi Baldussi <br> <br> Reportagem Local 
Londrina - Irael Ferreira Quaresma, de 39 anos, vive há mais de um mês sem seu coração. Assim como ele uma dona de casa, 50, passou a viver sem seu coração nas últimas 24 horas. Ela está internada na UTI da Santa Casa de Londrina, em estado estável, pois recebeu um novo coração ontem. Este foi o segundo transplante cardíaco no ano em Londrina. O primeiro foi o de Irael, que saiu do hospital há pouco mais de uma semana, e recebeu a Reportagem em casa, no Jardim Leste-Oeste (Zona Oeste), na tarde de ontem.
Irael estava na fila de transplante desde 2007, quando precisou se aposentar, pois ''não conseguia fazer nada''. Nascido em Minas Gerais, ele passou a infância num sítio em Montes Claros (MG). Foi lá que ele, três de seus irmãos e o pai foram picados pelo barbeiro, nome popular do inseto transmissor da Doença de Chagas.
Dois irmãos e o pai dele já morreram por conta do Mal de Chagas, que causa complicações cardíacas. Irael por pouco não seguiu o mesmo destino.''Meu médico já falava que não tinha muito tempo. Achava que ia morrer mesmo'', afirmou ele, que soube que tinha Chagas em 2007, quando começou a ter dificuldades para trabalhar. ''Doía o peito'', recorda ele.
Como trabalha desde os 8 anos, Irael ainda não se acostumou com a aposentadoria precoce. ''É complicado, sempre trabalhei. Comecei criança na roça de algodão'', conta. O mineiro não guarda boas recordações da terra natal. ''Saí de lá em 1990, não quero mais volta. Sofri muito'', conta ele, que há 13 anos vive no Jardim Leste-Oeste.
''O médico dizia que meu coração já mal cabia no peito, não conseguia nem andar direito'', revela ele, recordando seu estado de saúde antes da cirurgia. Irael lembra bem da ligação que recebeu no início da tarde de 2 de março. ''Me ligaram, perguntaram se estava gripado, se alguém da minha família tinha gripe. Como não tinha nada disseram para eu estar lá no hospital em 40 minutos.''
Desde que descobriu a doença e deixou de trabalhar, ele e seus três filhos Letícia, 11 anos, Luana, 7, e Renan, 4, sobrevivem com um salário mínimo da Previdência Social e a renda que a esposa dele, Simone, consegue com a reciclagem.
''Eu fiquei com medo antes da cirurgia. Depois também. Fiquei nove dias na UTI e mais 11 na enfermaria'', relata. Atualmente ele passa seus dias sem fazer grandes esforços, tomando dez comprimidos de remédio por dia. ''Não sinto canseira, está dando para dormir tranquilo''. Uma grande cicatriz corta o seu peito. Ele continua sendo acompanhado e na próxima semana deve voltar ao hospital.
A Santa Casa e o cirurgião responsável por transplantes de coração na região, Arnaldo Okino, pouco falaram sobre a operação de ontem. A cirurgia teve início por volta das 22 horas de quarta-feira e só foi concluída às 2 horas do dia seguinte. De acordo com o cirurgião Arnaldo Okino, ainda não é possível avaliar a cirurgia. ''É muito cedo. As próximas 72 horas são de risco'', afirmou.
De acordo com ele, a paciente, uma mulher de 50 anos, estava havia um ano na fila de espera pelo transplante e sofria com um coração dilatado. Cerca de 20 pessoas, incluindo seis cirurgiões, fizeram parte da equipe que realizou o transplante ontem na Santa Casa. Este foi o 44 transplante de coração do hospital.
Segundo a coordenadora da Comissão de Procura de Orgãos e Tecidos para Transplante (Copote), Ogle Bacchi, Londrina é referência para toda região , abrangendo quase 2 milhões de habitantes. Há ainda sete pessoas na fila de espera por transplantes cardíacos na região, de acordo com Arnaldo Okino. São doentes que só poderão continuar vivendo se passarem por transplante.


