Uraí - Desde 17 de dezembro, apenas casos de urgências e emergências são atendidos na Santa Casa de Uraí (Norte do Estado), instituição com 62 anos de história. Mas a situação pode piorar ainda mais nos próximos dias, já que o hospital corre o risco de fechar por conta de grave crise financeira. Ontem, funcionários e moradores realizaram manifestação para tentar sensibilizar o prefeito, Susumo Itimura. Em nota, ele afirmou que não pode fazer mais do que já faz.
Conforme o presidente do Sindicato dos Trabalhadores na Saúde de Cornélio Procópio e região, Reginaldo Ristau, a Santa Casa passou a ter dificuldades neste ano. Lei municipal estabelece que a Prefeitura faça o repasse mensal de ''verba de subvenção'' para a entidade de R$ 37,5 mil, mas, segundo o sindicalista, desde o início do ano os repasses passaram a ser parciais, no valor médio de R$ 20 mil mensais. Nos últimos meses, os 29 funcionários passaram a sofrer com atrasos nos salários. Até ontem, não sabiam quando iriam receber o 13º salário.
Com faixas e cartazes, cerca de 50 manifestantes seguiram em passeata ontem da Santa Casa até a Prefeitura. Pediam que o prefeito, pelo menos, saldasse a dívida com os trabalhadores. No entanto, Itimura adiantou que não faria nenhum repasse e ainda teria recusado a proposta da Câmara de usar parte dos R$ 314 mil que serão devolvidos ao final deste exercício. Ação civil pública movida pela Santa Casa cobrando o repasse de R$ 140 mil atrasados da Prefeitura também não surtiu efeito, porque a juíza Ana Cristina Cremonezi negou liminar que pedia que o Executivo efetuasse o pagamento.
Funcionária há 16 anos, uma técnica de enfermagem que preferiu não se identificar disse que nunca passou por uma crise como esta. ''Minha filha me pergunta quando eu vou receber para que o Papai Noel possa dar o presente que ela deseja'', lamentou. Os trabalhadores querem que uma nova diretoria seja eleita. O atual provedor, Milton Brito, não assumiu a culpa pela crise e alegou que negocia com Itimura desde janeiro. ''Conversei semanalmente com o prefeito desde janeiro e ele só me fazia promessas, me pedia para aguardar. Agora não dá mais'', disse. Segundo Brito, a dívida total soma cerca de R$ 200 mil.
Em nota, a Prefeitura argumentou que ''a Santa Casa é uma entidade privada, sendo responsável, por força de convênio, pelo atendimento de pronto-socorro''. Segundo a Prefeitura, o repasse mensal da subvenção social que seria de cerca de R$ 26 mil estaria em dia. O Município forneceria ainda ambulância, motorista e mais R$ 31 mil mensais em autorização de internamento hospitalar (AIH)

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