A Irmandade do Hospital Santa Casa Monsenhor Guilherme, de Foz do Iguaçu, anunciou a demissão dos 360 funcionários e o fechamento da instituição por 30 dias. A decisão foi tomada em assembléia realizada na noite da última segunda-feira. Durante um mês uma comissão interventora, formada na mesma assembléia, deverá discutir alternativas para o pagamento dos salários e direitos trabalhistas em atraso: parte dos proventos de outubro e novembro, 13º integral e férias, além de parcelas do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) que não estariam sendo depositadas.
O Sindicato dos Trabalhadores da Saúde anunciou que a demissão dos funcionários por causa do fechamento é inconstitucional e que vai entrar com ação coletiva na Justiça do Trabalho, pois não foi decretada a falência do hospital. ''Estamos em greve desde o dia 16 de dezembro. Para nos demitir, terão primeiro que nos pagar tudo o que devem'', disse o presidente do sindicato, Antonio Marcos de Oliveira. Ontem à tarde os funcionários ocupavam o prédio, e anunciaram que só pretendem sair mediante o pagamento das dívidas.
A crise na Santa Casa é antiga e a dívida é calculada em R$ 16 milhões. No início de 2005 o município liberou um aporte de R$ 3,8 milhões para o hospital, que não teria surtido muito efeito na melhoria do atendimento. De acordo com a assessoria de imprensa da prefeitura, a intervenção na instituição está descartada. Isto também já foi feito na administração anterior, sem grandes resultados.
A assessoria informou que o prefeito Paulo Mac Donald (PDT) pretende direcionar todos os esforços na construção do Hospital Regional, que deve ser construído nos próximos seis meses e está orçado em R$ 8 milhões portanto metade do valor da dívida da Santa Casa.
Para a irmã Ida, que trabalha há 16 anos no hospital, a situação ''está abaixo da crítica''. Ela observou que antes a Irmandade era formada por 56 pessoas, hoje são 69. ''Apenas o nome é de irmandade, eles estão ali só para tirar benefícios próprios'', criticou. Ontem a Folha não conseguiu contato com a Irmandade.
A Secretaria Municipal da Saúde e o Conselho Municipal de Saúde de Foz do Iguaçu (Consea) definiram ontem um plano emergencial de saúde para atender a demanda de pacientes, firmando convênio com vários hospitais da cidade e de outros municípios da região Oeste. A administração municipal estuda a reabertura do antigo Hospital Internacional, pelo menos provisoriamente, e a transformação do Centro de Nutrição Infantil em centro de atendimento pediátrico.
Desde 16 de dezembro, a maioria dos leitos credenciados da Santa Casa já não estava disponível à população, e a demanda passou a ser absorvida pelos prontos-atendimentos 24 horas, postos de saúde e Programa Saúde da Família.

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