Santa Casa de Cambé atinge menor taxa de cesarianas
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segunda-feira, 06 de julho de 2015
Rafael Fantin<br> Reportagem local 
Londrina - A Santa Casa de Cambé atingiu a menor porcentagem de cesarianas da história da instituição no último mês de maio, quando 30,14% dos partos pelo Sistema Único de Saúde (SUS) foram realizados com a necessidade de intervenção cirúrgica. A média anual em 2014 foi de 52% de cesarianas no hospital, que passa por intervenção judicial desde o final de 2012. Os dados foram divulgados ontem pelo Ministério Público (MP), mesmo dia que passou a vigorar as novas regras da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) para estimular partos normais e reduzir o número de cesarianas desnecessárias em atendimento com cobertura de planos de saúde.
Para o médico Jad Ramen Kaue Domene, coordenador de ginecologia e obstetrícia da Santa Casa, a alta no número de partos normais é reflexo do acompanhamento da equipe desde o pré-natal nas Unidades Básicas de Saúde até a chegada da mãe no hospital, quando profissionais passam a monitorar o estado de saúde da paciente e se existe ou não a necessidade de cesariana. "No posto de saúde, a mãe recebe informações sobre o parto normal e uma equipe de acolhida continua o acompanhamento quando a paciente chega no hospital", explicou. De acordo com ele, a atual média de cesarianas pelo SUS é de 40% e nos convênios chega a 84%. O recomendado pela Organização Mundial de Saúde (OMS) é 15%.
Domene também lembrou que a estrutura física do local melhorou após a intervenção judicial e outras medidas foram adotadas com objetivo de aprimorar a qualidade do atendimento das gestantes. "Hoje, a paciente possui uma área com mais privacidade e pode escolher um acompanhante para ficar ao lado dela durante todo o procedimento, o que não ocorria por falta de estrutura. Além disso, utilizados outros meios, não farmacológicos, para aliviar a dor. A aquisição de medicamentos que não existiam também contribui na indução de partos normais na 41ª semana", informou.
Segundo ele, a presença de pediatras em todas as escalas ainda garante a possibilidade do parto normal. Antes da intervenção judicial, cesarianas eram realizadas para antecipar o parto quando a ausência do pediatra já estava confirmada nos plantões. "A cesariana não pode ser criminalizada, pois é uma cirurgia que salva vidas das mães e dos neonatos. No entanto, a cesariana desnecessária aumenta os riscos de problemas para ambos", comentou.
A promotora de Justiça Adriana Lino avalia que o resultado é uma consequência do processo de recuperação pelo qual a Santa Casa de Cambé passa durante a intervenção judicial. Em 2012, diretores do hospital foram afastados por indícios de desvios e má gestão. "Atualmente, existe a preocupação em atingir as metas do SUS para melhorar a qualidade do atendimento oferecido aos pacientes", disse a promotora, que acompanha a intervenção no hospital.


