Arapongas - A Santa Casa de Arapongas (Norte) decidiu suspender o atendimento de pacientes pelo Sistema Único de Saúde (SUS) a partir de hoje, dia em que o hospital estaria de plantão seguindo o revezamento adotado com outro hospital da cidade. A decisão foi anunciada ontem de manhã pelo provedor da instituição, Elton Luiz de Carvalho, que definiu a situação como ''insustentável''.
O principal motivo da suspensão do atendimento, por tempo indeterminado, são os valores repassados pelo SUS aos médicos plantonistas, em especial nas áreas de obstetrícia e pediatria. ''Não dá mais. É impossível ficar passando a impressão de que nós estamos atendendo e que o Estado está pagando. O médico não é obrigado a trabalhar de graça, ninguém é obrigado a trabalhar de graça'', desabafou Carvalho.
Ele apresentou a relação com os valores pagos pelos SUS para cada parto normal ou cesareana. (Ver quadro) A gota d'água, entretanto, foi uma determinação do promotor de Defesa da Saúde Pública de Arapongas, Marcos Vinicius Pesenti, que cobrou do hospital a obrigatoriedade do atendimento ao público, uma vez que esta é uma exigência prevista no contrato entre o hospital e o SUS. O promotor fixou uma multa de R$ 5 mil por dia ao hospital e R$ 1 mil a para cada diretor em caso de não atendimento.
Diante da determinação, a direção da Santa Casa se reuniu e considerou melhor suspender de forma total o atendimento ao SUS, que corresponde a 70% do movimento do hospital. Os outros 30% são de pacientes conveniados e particulares.
A Santa Casa recebe quase R$ 250 mil por mês do Estado para o atendimento aos pacientes do SUS e considera que seria necessário um aumento de R$ 75 mil para atender os pacientes que procuram o plantão apenas nas duas especialidades. A direção do hospital reclama também que está sem receber, desde 2008, o repasse devido pelo município.
Na entrevista que concedeu ontem de manhã, o provedor deixou claro que o hospital não faz questão de manter o convênio com o SUS e chegou a sugerir que o promotor, que fez a determinação, faça também uma escala de atendimento. ''O Ministério Público é o órgão que deve pegar a Santa Casa e colocar na mão de quem queira atender com esse repasse do Estado. Não somos obrigados a fazer isso'', disse o provedor.
O promotor Marcos Pesenti reconhece que os valores pagos aos médicos estão defasados, mas justificou que a medida visa evitar maiores prejuízos à população. Ele argumentou também que não é de competência do Ministério Público interferir em assuntos internos ou elaborar escalas de plantões em hospitais. ''Se os médicos se recusam a atender ao chamamento do hospital, o hospital também tem medidas para tomar com relação a eles'', afirmou.

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