Maceió, 26 (AE) - O médico-legista George Sanguinetti, professor de Medicina Legal da Universidade Federal de Alagoas (Ufal), está investigando a morte do ex-presidente do PMDB Ulysses Guimarães, a pedido de uma rede de televisão. Em entrevista à uma emissora de rádio de Maceió, ele defendeu a tese de sabotagem e crime premeditado para acidente de helicóptero com o ex-deputado. Para Sanguinetti, é muito estranho que somente o corpo de Ulysses Guimarães não tenha sido localizado. Na ocasião morreram a mulher de Ulysses, Mora, e o ex-senador Severo Gomes e sua mulher.
"Nem mesmo um objeto pessoal dele foi encontrado no mar ou na praia, após a tragédia", disse Sanguinetti. O perito afirma que já manteve contato com várias pessoas de Parati (RJ), onde foi instaurado o inquérito policial que apura a queda do helicóptero. "Falei com várias pessoas ligadas às vítimas, que demonstram interesse nesse meu trabalho", afirmou o legista. "Já sei, por exemplo, que o piloto estranhou mudanças no motor e no altímetro do helicóptero, mesmo sabendo que o equipamento era novo", acrescentou.
Segundo Sanguinetti, o helicóptero pertencia à família Chama
de André Vale, dono do Moinho Santo André. "Tenho alguns fatos que não estou autorizado a divulgar porque correm em segredo de Justiça, mas de acordo com informações preliminares não está descartada a hipótese de sabotagem", afirmou Sanguinetti, acrescentando que está analisando os autos do inquérito e os exames cadavéricos das vítimas encontradas após o acidente, que vem sendo investigado também pela Polícia Federal.
O legista, que é coronel-médico da Polícia Militar de Alagoas e diretor geral do Hospital da PM, disse que estará no próximo dia 3 de agosto em São Paulo, a convite da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-SP), para uma conferência sobre "etnologia da morte", na sede da entidade. No dia 4 de agosto, ele viaja para Parati, litoral fluminense, onde passa uma semana investigando a morte de Ulysses Guimarães.
Sanguinetti ganhou notoriedade nacional por ter sido a primeira autoridade em medicina legal e contestar a versão de crime passional para as mortes de Paulo Cesar Farias e sua namorada Suzana Marcolino. Para o legista alagoano, PC e Suzana foram assassinados. Hoje, Sanguinetti voltou a defender o indiciamento do deputado federal Augusto Farias (PPB) como responsável pela morte do irmão (PC).

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