"Sangue por Sangue" continua sendo o lema em Kosovo Do correspondente Gilles Lapouge
"Sangue por Sangue" continua sendo o lema em Kosovo Do correspondente Gilles Lapouge16/Mar, 16:21 Paris, 16 (AE) - "Sangue por sangue" - este slogan que os sérvios gritavam quarta-feira em Mitrovica (Norte de Kosovo, não longe da fronteira sérvia, que passa um pouco mais acima), poderia ser também, infelizmente, o slogan de seus inimigos, os albaneses de Kosovo. E, entre os dois campos, a força multinacional de paz, criada pela Resolução 1244 das Nações Unidas, tenta estabelecer uma zona de calma. Esta Força de Paz, composta sobretudo de franceses, não está conseguindo grandes resultados nessa cidade de Mitrovica: gás lacrimogêneo, insultos, pedras... e a violência cresce a cada dia. Os incidentes entre sérvios e albaneses ocorrem sempre no mesmo lugar: em torno das pontes que atravessam o Ibar, rio que divide as duas comunidades servindo-lhes de fronteira. Os sérvios, que temem sempre uma entrada de albaneses, se arvoraram em "guardiães desta fronteira" há vários meses. Estão muito bem equipados, comunicam-se por meio de telefones portáteis e rechaçam pela força os grupos de albaneses que gostariam de atravessar o rio. O contingente francês da Força de Paz tentou liberar os acessos à ponte, para criar "zonas de confiança garantidas" nas duas margens do rio. Mas o líder sérvio dos "guardiães da ponte", Olivier Ivanovic, se opôs dizendo que "os sérvios não têm confiança na OTAN para sua segurança". Além destas escaramuças cotidianas, existem outras preocupações: a harmonia não parece irrepreensível entre os aliados, que teoricamente se esforçam juntos para trazer a serenidade à província sérvia de Kosovo. Os franceses são alvo de suspeitas. Foi por isso que os presidentes Bill Clinton, dos Estados Unidos, e Jacques Chirac, da França, mantiveram na quarta-feira um contato por telefone para discutir um aumento dos contingentes da Força de Paz. O comunicado conjunto Clinton-Chirac "reafimou a vigilância e a firmeza que manterão os Estados Unidos e a França". E o documento lembrou com destaque "a solidariedade dos aliados em face dos extremistas de todos os lados". Mas a cidade de Mitrovica não é a única preocupação em Kosovo, nem mesmo na ex-Iugoslávia. Hoje, duas informações fizeram temer que, na realidade, Mitrovica seja apenas um abcesso de fixação e que, por trás dessa cortina de fumaça, outras investidas bem mais perigosas estejam sendo preparadas na ex-Iugoslávia. A grande novidade é a criação de mais um movimento: o ELPBM (Exército de Libertação de Presovo, Bujenovac e Mevedja), prolongamento do ELK (Exército de Libertação de Kosovo). O ELPMB pretende libertar "Kosovo Oriental", isto é, a Sérvia do Sul. A ameaça é pesada para Belgrado: os sérvios correriam o risco de perder o controle das montanhas da região de Presevo e isso permitiria aos rebeldes extremistas albaneses ameaçar a estrada que vai de Skopje (capital da Macedônia) a Salônica, na Grécia. Nesse caso, o conflito poderia estender-se à Macedônia, onde a polícia está confiscando toneladas de armas em mãos dos albaneses da Macedônia. Finalmente podemos citar um segundo foco de efervescência: os especialistas da OTAN acham que o presidente iugoslavo, Slobodan Milosevic, está preparando o terreno para agir contra Montenegro, que resistiu à explosão da ex-Iugoslávia e continua sempre fazendo parte da Federação Iugoslava, muito embora seguindo uma linha hostil a Milosevic. O comandantre-chefe da OTAN, general Wesley Clark, lançou ontem um grito de alarme: "O nó está sendo apertado sobre Montenegro, onde surge um modelo claro daquilo que já vimos nos Balcãs." Segundo o oposicionista sérvio Nenad Canak, Milosevic só está aguardando um sinal de seus seguidores "incondicionais em Montenegro" para intervir neste Estado.





