Sangue não tem vírus, segundo IHEL
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terça-feira, 22 de agosto de 2000
Edna Mendes De Londrina 
O diretor do Instituto de Hematologia de Londrina (IHEL), Arnaldo Antonio Calixto, afirmou ontem que o exame na bolsa de plasma (um componente do sangue) apreendida na semana passada e encaminhada ao Instituto Nacional de Controle de Qualidade em Saúde, no Rio de Janeiro, não comprovou a contaminação pelo vírus HIV, que transmite a Aids. A suspeita de que o sangue poderia estar contaminado foi levantada depois que uma paciente afirmou ao Ministério da Saúde que havia contraído o vírus antes de fazer uma doação de sangue no IHEL, no início de fevereiro.
Bioquímica do Instituto de Hematologia de Londrina acompanha no Rio de Janeiro os exames feitos no Instituto Nacional de Controle de Qualidade em Saúde
A comerciária M.C., 25 anos, denunciou o instituto alegando que doou sangue no dia 2 de fevereiro, recebendo em seguida o resultado dos exames, que não apontaram nenhuma das nove doenças que são investigadas, entre elas a Aids. Ela afirmou ainda que só teve conhecimento de que estava com a doença três meses depois, quando precisou ser hospitalizada por estar com meningite e teve que submeter-se a vários exames. Segundo ela, os médicos que a atenderam atestaram que ela havia contraído o vírus no final do ano passado.
A bioquímica do IHEL, Daniele Venturini, que acompanhou a realização dos exames no Rio de Janeiro, confirmou no final da tarde de ontem que os testes feitos, por dois métodos diferentes, apresentaram resultados negativos, a exemplo do que já havia sido constatado no IHEL.
Segundo a bioquímica, hoje pela manhã será feito apenas um teste confirmatório, que deve ter o resultado divulgado por volta do meio-dia. Porém, os testes que nos interessavam já foram realizados ontem. O resultado de hoje nem constará no processo. É praticamente impossível que o exame de hoje tenha resultado positivo, afirmou.
A técnica da Vigilância Sanitária de Londrina, Geane Zupellari dos Santos, treinada pelo Programa Nacional de Inspeção em Unidades Hemoterápicas, também acompanhou os exames no Rio e deve retornar hoje com os resultados oficiais.
De acordo com Calixto, que também é médico hematologista, a comerciária poderia ter contraído o vírus antes da doação de sangue, mas durante os exames ela não tinha o índice de anticorpos suficientes para detectar o vírus. Isso é o que chamamos de janela imunológica, onde o período de positividade é variável de pessoa para pessoa, explicou.
Calixto disse ainda que, provavelmente, a comerciária omitiu ou mentiu algumas informações durante a triagem que é feita no IHEL para todos os candidatos a doador de sangue. Ela teve que responder um questionário de 26 perguntas, onde afirmou não pertencer a nenhum grupo de risco. Essa moça agiu com imprudência porque colocou a vida de outras pessoas em risco, afirmou.
Ele alerta ainda que muitas pessoas com desconfiança de serem portadoras do vírus HIV procuram o instituto com a desculpa de que querem doar sangue, apenas para confirmarem ou não a suspeita. Isso é um crime porque elas podem ter o vírus e ainda estar no processo da janela imunológica, disse.
De acordo com o IHEL, o plasma e as plaquetas do sangue doado por M.C. não foram utilizados, mas sim o concentrado de hemácias. O receptor do derivado já foi identificado e está sendo contactado para a realização de exames. (Colaborou Silvana Leão)


