'Sanepar está matando o Rio Iraí', denuncia ONG
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quarta-feira, 23 de fevereiro de 2005
Andréa Lombardo<br> Equipe da Folha 
Curitiba - A disposição do lodo resultante do processo de tratamento da água próximo às margens do Rio Iraí, em Pinhais (Região Metropolitana de Curitiba), por uma empresa contratada pela Companhia de Saneamento do Paraná (Sanepar) preocupa ambientalistas. O receio é de que o material seja levado pelas chuvas para dentro do manancial, que abastece cerca de 40% da Capital e municípios vizinhos. A Sanepar garante que o lodo é inerte, isto é, não oferece risco de poluição.
''A Sanepar está matando o Rio Iraí e transformando uma área de preservação ambiental em um lixão'', criticou o ambientalista Jorge Grando, integrante da ONG, Associação de Proteção e Preservação dos Mananciais do Alto Iguaçu e Serra do Mar (Appam), que fez a denúncia. Ele também criticou a falta de cuidado no transporte do lodo e o despejo da carga de um dos caminhões em um terreno no perímetro urbano de Pinhais. Grando acrescentou que amostras do lodo foram colhidas para análise.
O gerente geral da Sanepar para a Região Metropolitana, Antônio Carlos Gerardi, disse que a disposição final do lodo da Estação de Tratamento de Água (ETA) Iraí é um passivo ambiental que a empresa está solucionando agora. A empresa contratada para remoção, transporte e disposição a Ambientsys iniciou os trabalhos no dia 15 de janeiro.
O contrato é para a retirada de 14 mil metros cúbicos da lagoa de contenção da ETA, onde o lodo resultante do processo (cerca de 250 m3/dia) é depositado. Cerca de 7 mil m3, segundo ele, já foram removidos. Quanto ao despejo de lodo em um terreno de Pinhais, Gerardi disse que a empresa foi notificada para corrigir o problema.
O consultor da Ambientsys, Arion Zandoná Filho, esclareceu que um projeto de recuperação de área degradada, aprovado pelo Iap, prevê que o lodo retirado da ETA Iraí, misturado a resíduos da construção civil (na proporção de um para três, respectivamente), seja depositado nas cavas de extração de areia já abandonadas para aterrar a área. Para ele, a solução é interessante, pois resolve a questão da disposição do lodo e acaba com as cavas que representam um risco para a população. ''Só no ano passado, 15 pessoas morreram afogadas lá'', destacou.
Ele assegurou que análises comprovam que materiais inorgânicos representam apenas 1% da composição do lodo. Cerca de 2,5% desse 1% são cinzas, das quais 20% seriam metais, como o alumínio. O técnico argumenta que essa quantidade não apresenta risco de contaminação.
Zandoná admitiu que a empresa foi notificada pela Sanepar e já providenciou a retirada do material depositado inadequadamente em um terreno. De qualquer forma, ele garantiu que isso não representou qualquer impacto ambiental.
O presidente do Iap, Rasca Rodrigues, informou que técnicos do órgão farão uma vistoria, hoje pela manhã, na área das cavas onde está sendo depositado o lodo para verificar se a empresa está atendendo os critérios estabelecidos no projeto, como, por exemplo, a impermeabilização do terreno para receber o material. Segundo ele, a empresa terá que ajustar os procedimentos, caso esteja em desacordo, ou corre o risco de ter a autorização cassada.


