São Paulo, 10 (AE) - Levantamento realizado pela consultoria Austin Asis com base nos balanços de 22 bancos que já divulgaram seus balanços anuais demonstra que a lucratividade do setor foi ampliada pelo saneamento de bancos privatizados. O lucro líquido (ganho) médio sobre o patrimônio líquido (recursos próprios) evoluiu de 12,9% em 1997 para 15,6% em 1998. Erivelto Rodrigues, diretor da consultoria Austin Asis, observa que a amostra foi afetada pela melhoria de rentabilidade de bancos privatizados como o Credireal (adquirido pelo Bradesco) e Meridional (pelo Banco Bozano, Simonsen). Esses bancos foram saneados. O Credireal saiu de um prejuízo líquido de US$ 126,3 milhões em dezembro de 1997 para um lucro líquido de US$ 200,7 milhões em dezembro de 1998. O Meridional avançou de um prejuízo líquido de US$ 78,7 milhões em 1997 para um lucro de US$ 49,3 milhões em dezembro de 1998. Rodrigues observa que os bancos estaduais saíram de uma situação "delicada" para voltar a ter lucros. "Isso é um indicador favorável da necessidade de privatizar todos os bancos estaduais", diz Rodrigues. O ganho dos bancos no ano passado veio principalmente de operações de tesouraria, aproveitando os altos juros pagos pelo governo na colocação de títulos públicos no mercado financeiro. A afirmação é de Erivelto Rodrigues, diretor da consultoria Austin Asis, após avaliar o aumento na lucratividade média do setor bancário de 12 9% em 1997 para 15,6%, tendo como base os 22 primeiros balanços anuais. Os elevados juros praticados no mercado foram responsáveis pela lucratividade bancária, ao mesmo tempo que contribuiu para endividamento "expressivo" por parte do governo federal, observa o consultor. O Bradesco -principal banco privado do país- diferenciou-se, porém, do restante da amostra ao optar por ampliar suas operações e seus lucros na área de crédito em vez de concentrar todos seus ganhos na compra de títulos públicos federais. O Unibanco -ao contrário seguiu o desempenho da maioria dos bancos varejistas- retraindo suas operações de crédito, ampliando as operações de tesouraria e obtendo receita com títulos e valores mobiliários da ordem de US$ 600 milhões, diz Rodrigues. O lucro dos bancos no ano passado pode ser explicado também pela equivalência patrimonial, referente a participação nas companhias controladas (seguradoras
empresas de previdência privada e de capitalização).
O Banrisul (Banco do Estado do Rio Grande do Sul) ampliou seus prejuízos de US$ 35,2 milhões em 1997 para US$ 629,5 milhões no balanço anual de 1998. Erivelto Rodrigues, diretor da consultoria Austin Asis, afirma que a ampliação dos prejuízos do banco ocorreu devido a opção da administração anterior de provisionar como crédito em liquidação 100% da carteira inadimplente (com atraso nos pagamentos) com vistas à privatização do banco estadual. Erivelto Rodrigues, diretor da consultoria Austin Asis, avalia que os bancos continuarão apresentando rentabilidade elevada em 1998, pois as taxas de juros devem continuar altas. "Quanto maior os juros, melhor para os bancos", afirma Rodrigues. Um efeito perverso dos juros altos é o da dificuldade dos tomadores em pagarem seus empréstimos. A inadimplência (atraso de pagamentos) média do sistema financeiro (com base em amostra de 22 bancos que já divulgaram seus balanços) passou de 2,6% da carteira de empréstimos em 1997 para 3,1% em 1998. Segundo Rodrigues, a inadimplência deve crescer devido a retração na atividade econômica e os efeitos da maxidesvalorização cambial.

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