Rio, 17 (AE) - O presidente da Eletrobrás, Firmino Sampaio Neto, admitiu hoje que não há como garantir a privatização de Furnas neste ano. "Não temos condições de dizer se Furnas vai ser vendida ou não este ano", afirmou Sampaio, em coletiva após a privatização da Companhia Energética de Pernambuco (Celpe), na Bolsa de Valores do Rio de Janeiro (BVRJ). "Mas sempre trabalhamos com a possibilidade de privatizar a empresa", ressalvou.
Mesmo sem a venda da empresa geradora de energia, o presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Andrea Calabi, afirmou que devem ser arrecadados
ainda neste ano, US$ 10 bilhões (quase R$ 18 bilhões, pelo câmbio atual). Há um mês, ele calculara a arrecadação de R$ 21 bilhões.
Com a venda da Celpe pelo preço mínimo de R$ 1,78 bilhão
o programa de privatização brasileiro atingiu a arrecadação US$ 90,812 bilhões, anunciou Calabi. Ele espera que, no próximo ano, o valor chegue a US$ 110 bilhões. O volume a ser arrecadado este ano viria com a venda do Banespa, do Instituto de Resseguros do Brasil (IRB Brasil RE) e da venda de ações da participação do governo em outras empresas, como a Light. Ele não citou as geradoras de energia na listagem. Firmino Sampaio lembrou que ainda estão previstas a venda de outras companhias de distribuição de eletricidade do Nordeste.
Para o economista Fábio Mattos, da consultoria Tendências, é improvável a venda de Furnas este ano. "O processo político está muito emperrado", justificou. Estudo da consultoria, feito em janeiro, previa que, neste ano, seriam gastos R$ 19 bilhões com a privatização - ou US$ 10,7 bilhões pela cotação do dólar de hoje, quase o mesmo valor dito por Calabi. A estimativa já levava em conta a venda da Celpe pelo preço mínimo.
Bradesco - O presidente do BNDES não quis comentar a possibilidade de a empresa de participações da instituição, o BNDESpar, adquirir parte das ações de uma empresa que o Bradesco formaria somente com a parcela que detém em negócios que não são do mercado financeiro. O negócio poderia ser usado como uma forma de apoio ao banco para disputar o Banespa.
"O BNDESpar não tem como comentar operações que envolvam companhias abertas, e tenham impactos na Bolsa de maneira antecipada", explicou Calabi. "Confirmar ou não significaria dar uma informação direta, e eu não posso fazer isso, por regras da CVM (Comissão de Valores Mobiliários)", justificou.

mockup