Sampaio chega a Macau para transferência da colônia
Macau, 17 (AE-AP) - O presidente de Portugal, Jorge Sampaio, chegou hoje (17) a Macau para devolver à China a mais antiga colônia da ásia, ao mesmo tempo em que forças de segurança locais expulsaram seguidores da seita espiritual Falung Gong, que querem protestar durante a cerimônia de transferência.
Ao deixar o aeroporto, Sampaio foi homenageado por uma banda que tocou o hino nacional de Portugal e por um contingente de policias vestidos de preto portando a bandeira de seu país.
Sampaio apertou a mão do governador Vasco Rocha Vieira, além de cumprimentar outros funcionários, alguns dos quais demonstravam forte emoção. O líder português não falou à imprensa sobre a histórica transferência da colônia portuguesa à China, que ocorrerá à meia-noite de domingo.
Por outra parte, seis membros da seita Falun Gong disseram a jornalistas em Hong Kong que foram expulsos de Macau. As atividades da seita estão proibidas na China e seus participantes planejavam protestos que coincidiriam com a presença de líderes chineses no enclave durante a transferência.
De acordo com Chau Sing, um dos membros da seita deportados para Hong Kong, a polícia de Macau bateu às 3h (horário local) nos quartos de hotel dos seguidores e os expulsou da cidade. Segundo ele, os policiais afirmaram ter recebido uma denúncia anônima segundo a qual os membros estariam carregando "algo suspeito".
O porta-voz das forças de segurança, Leung Wai-keung, defendeu a deportação, mas negou-se a dizer se o grupo receberia permissão para protestar durante a cerimônia de transferência.
A polícia de Macau deixou claro que não iria tolerar protestos dos simpatizantes da Falun Gong. No início desta semana, as autoridades impediram a entrada em Macau de quatro membros do movimento espiritual.
Cerca de 3.000 policiais estarão espalhados pelo enclave, fazendo a segurança dos 2.500 convidados. Além disso, a China mobilizará outros 10.000 policiais na fronteira com a província de Guangdong, a fim de evitar qualquer tumulto.
Nos últimos anos, uma série de assassinatos relacionados ao crime organizado maculou a imagem de Macau, até então considerado um território tranquilo. O jogo é a principal fonte de renda e os mafiosos travam uma guerra selvagem pela divisão dos lucros. Somente este ano, 37 pessoas morreram em atentados.





