São Paulo, 18 (AE) - O empate entre as escolas de samba Gaviões da Fiel e Vai-Vai deixou presidentes e diretores de outras agremiações pessimistas quanto aos próximos desfiles e à participação da população. Alguns acreditam que a mudança de regulamento de última hora tira a confiança do público no resultado da competição.
O presidente da Liga Independente das Escolas de Samba (Liga), Robson de Oliveira, acha que não. Para ele, o carnaval paulistano deverá ter ainda mais público e divulgação no próximo ano. "Os presidentes entendem que foi uma decisão justa", disse. "As duas escolas quase chegaram à perfeição, fazendo 299 5 pontos dos 300."
A diretora de eventos da Rosas de Ouro, Vera Lúcia da Silva, discorda. Para ela, a Liga foi incoerente ao decidir em favor de algumas e contra outras. "O presidente teve dois pesos e duas medidas", disse. "Todos viram que nosso carro quebrou e ele mandou que se cumprisse o regulamento; na hora de proclamar os campeões, mudou o regulamento."
Oliveira disse que desempatar teria sido uma injustiça e ele havia decidido que não haveria empate antes do início da leitura das notas dos jurados. "O regulamento tem válvulas de escape", disse. "A Liga, em fatos extremos como esse, tem poder de deliberação."
O presidente da Imperador do Ipiranga, Francisco Ursulino de Alcântara, acredita que, com alterações como essa, o público fica sem entender os critérios do desfile. "Alguma coisa tem de ser mudada para o desfile não perder credibilidade."
No próximo ano o desfile das escolas de samba será dividido em dois dias, com a apresentação de sete agremiações em cada noite. Hoje Oliveira antecipou que as campeãs deste ano serão atrações de dias diferentes.

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