Sambista é enterrado ao som de suas músicas
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domingo, 14 de novembro de 1999
Por Roberta Jansen 
Rio, 14 (AE) - Sob chuva fina, muitos aplausos e ao som de A Voz do Morro, Máscara Negra e Acender as Velas, acompanhadas de um surdo de marcação, foi enterrado hoje, no Cemitério de Inhaúma, o corpo do cantor e compositor José Flores de Jesus, o Zé Kéti. "O sambista não morre, o sambista viaja para o reino da glória", afirmou o irmão do compositor, Adilson Flores de Jesus, citando uma frase de autoria de Zé Kéti. "Ele agora está no reino da glória."
O sambista, de 78 anos, morreu no início da manhã, de parada cardíaca, no Hospital Ordem Terceira da Penitência, na Tijuca, na Zona Norte do Rio, onde estava internado desde o dia 25 de outubro em consequência de complicações renais e pulmonares. Os mais importantes sambistas da velha guarda estiveram presentes ao velório e ao enterro.
"Ele improvisava bem, brincava com a música, fazia com ela o que queria", afirmou o compostior Monarco. "Na década de 50, na época em que o iê iê iê dominava tudo, foi ele quem virou o jogo com A Voz do Morro." "Ele foi um dos grandes incentivadores do samba", reforçou o compositor Walter Alfaiate. Para outro grande compositor, Nélson Sargento, o samba perdeu um de seus maiores representantes. "Ele fez tanto pelo samba, que fez uma música dizendo, eu sou o samba", lembrou. Segundo seus parentes, mesmo doente, Zé Kéti sonhava em montar um grande show de samba. "Ele pensava em fazer uma homenagem ao samba carioca, um novo show Opinião, ou mesmo um espetáculo musical", contou sua filha Geisa Flores.
Também esteve presente no enterro o cineasta Nélson Pereira dos Santos, com quem Zé Kéti trabalhou. Foi para o filme Rio 40 graus, de 1955, que Zé Kéti fez A Voz do Morro. Três anos depois
o diretor rodou Rio Zona Norte, filme estrelado por Grande Othelo, inspirado na vida de Zé Kéti. "Ele fazia muito bem a união entre o morro e os intelectuais, como Vinícius de Morais e Nara Leão", lembrou Nélson Pereira dos Santos.


