Samarco admite que obra causou tragédia em Mariana
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segunda-feira, 29 de agosto de 2016
Folhapress 
Belo Horizonte - Pela primeira vez desde a tragédia de Mariana, em novembro do ano passado, a mineradora Samarco e suas controladoras, Vale e BHP Billiton, responsáveis pela barragem do Fundão, reconheceram que a ruptura do reservatório ocorreu numa obra aberta no topo da estrutura. O anúncio sobre as causas do desastre - que matou 19 pessoas e deixou um rastro de destruição por todo o rio Doce até o litoral do Espírito Santo - foi realizado na tarde de ontem, em Belo Horizonte, com a presença dos presidentes da Samarco e da Vale e do diretor comercial global da BHP.
As mineradoras apresentaram os resultados de uma investigação própria sobre a tragédia, mas evitaram falar em culpados pela série de falhas de projeto e operação ocorridas desde o início do funcionamento do reservatório, em dezembro de 2008. No evento, jornalistas foram orientados a não fazer perguntas sobre as responsabilidades no desastre de Fundão.
Segundo as investigações, a ruptura se deu por processo de liquefação: os rejeitos armazenados na estrutura fluíram como líquido, numa "transformação abrupta" dos rejeitos. A liquefação ocorreu porque a areia armazenada ali estava solta (não compactada) e encharcada de água. As mineradoras não explicaram por que não houve controle da água. Fundão recebia rejeitos arenosos e lama, inclusive da Vale.
A tragédia, como a Polícia Federal já havia apontado no início deste ano, ocorreu na lateral esquerda da barragem, onde a Samarco havia recuado a parede no topo de Fundão, formando um "S". A alteração foi feita porque naquele ponto a mineradora precisou abrir um canteiro de obras para solucionar problemas antigos numa galeria. Nesse chamado recuo do eixo, Fundão se apoiava sobre lama que não deveria estar ali (mas acabou indo para o local por problemas de drenagem). Segundo o professor emérito de engenharia civil pela Universidade de Alberta, no Canadá, Norbert Morgenstern, o rompimento ocorreu como se uma "bisnaga de pasta de dente" fosse pressionada.
Os presidentes das empresas, Roberto Carvalho (Samarco), Murilo Ferreira (Vale) e o diretor da BHP, Dean Dalla Valle, não comentaram os resultados das investigações. Eles pediram desculpas pela tragédia, disseram sentir pelos familiares e amigos das 19 vítimas e pelos danos causados às comunidades e ao meio ambiente.


