Samaranch sai enfraquecido de encontro mundial
Lausanne, SUI, 04 (AE-REUTERS) - O presidente do Comitê Olímpico Internacional (COI), Juan Antonio Samaranch saiu enfraquecido do encontro mundial antidoping, que terminou hoje, em Lausanne, na Suíça. Após três dias de reunião, o dirigente não conseguiu convencer a Fifa e a União Internacional de Ciclismo (UCI) a aceitarem a punição mínima de dois anos para casos de doping. E também perdeu a queda de braço com os governos da União Européia, que impediram que o COI tomasse as rédeas da agência internacional antidoping, como o dirigente pretendia.
A criação da agência ficou para ser discutida em uma nova reunião, em três meses. A punição mínima por uso de doping será a suspensão por dois anos, a não ser em casos especiais. E os governos poderão ter uma participação maior na questão do doping, em assuntos que eram da alçada do COI. Apesar disso, o dirigente tentou mostrar-se satisfeito com o final da reunião. "Não acho que nos enfraquecemos, o encontro foi muito positivo em algumas questões", disse.
Samaranch continua sofrendo pressões para renunciar à presidência da entidade que dirige desde 1980. Ele foi obrigado a ouvir de muitos políticos que participaram do encontro a recomendação de que o COI faça uma limpeza interna após a série de casos de corrupção que vêm sendo denunciados desde o ano passado.
REVOLTA - O dirigente também enfrenta uma revolta interna. Ele tem de convencer dois terços dos membros da entidade a votarem, em março, pela mudança, na forma de eleição das cidades-sedes de eventos olímpicos. Um grupo de executivos já anunciou ser contra a mudança, pela qual eles não participariam mais da escolha.
Um dos revoltados é o poderoso presidente da Federação Internacional de Atletismo (IAF), Primo Nebiolo. "Sou contra a criação de um grupo reduzido para a eleição das sedes", afirmou o dirigente. "Quero preservar meu direito democrático de votar." Após o término da reunião de Lausanne, em Bonn, o líder do governo alemão no Congresso, Peter Struck, fez um discurso duro pela saída de Samaranch. "Sugiro que o COI tome decisões rápidas sobre mudança de pessoal", disse o deputado. O ministro do Interior, da Alemanha, Otto Schily pediu o fim da "monarquia constitucional" que dirige o COI.
MAIS SUSPEITAS - Nos Estados Unidos, o vice-presidente do COI, o coreano Un Yong Kim foi acusado de ter conseguido um emprego para seu filho, Jung Hoon, por meio do comitê de organização de Salt Lake City, na empresa de comunicação Keystone. Segundo o jornal USA Today, o diretor da Keystone, David Simmons
confirmou que o filho de dirigente foi empregado da empresa no início da década de 90 e parte do seu salário era pago pelo comitê.





