Samaranch não convence congressistas dos EUA
Washington, 15 (AE-AP) - O presidente do Comitê Olímpico Internacional (COI), Juan Antonio Samaranch, disse aos congressistas norte-americanos, hoje, que a entidade maior do esporte olímpico tornou-se mais transparente após as reformas aprovadas na sua última reunião. No entanto, as declarações de Samaranch foram recebidas com ceticismo pela comissão do Congresso dos Estados Unidos, encarregada de investigar os casos de suborno que envolveram a escolha de Salt Lake City para ser sede dos Jogos de Inverno de 2002.
A opinião da maioria dos congressistas é de que as reformas do COI ficarão mais no papel do que na prática. "Eu creio que limpamos a casa", afirmou Samaranch. "Eu gostaria que o senhor renunciasse ao cargo hoje", retrucou o republicano Joe Barto. Samaranch está na presidência da entidade desde 1980.
O velho dirigente preferiu não responder diretamente ao senador. Sua estratégia foi recordar as providências que o COI tomou desde a erupção do escândalo de Salt Lake, no final de 1998. Samaranch disse que muitas das reformas aprovadas pelo COI na semana passada já estão em vigor, incluindo a proibição de visitas dos integrantes da entidade às cidades candidatas a organizar eventos olímpicos. E assegurou que as outras mudanças serão adotadas antes da Olimpíada de Sydney.
Mas outro senador republicano, Fred Upton, presidente da comissão do Senado, encarregada da investigação, mostrou-se desconfiado diante de declarações de alguns integrantes do COI sobre as mudanças aprovadas. "A conduta dos membros do COI em relação às cidades candidatas não nasceu ontem e não vai desaparecer simplesmente porque há novas regras escritas", declarou.
Samaranch compareceu à audiência acompanhado do ex-secretário de Estado norte-americano Henry Kissinger, que ajudou a formular as mudanças aprovadas pelo COI. Mas a companhia ilustre não o impediu de ser pressionado.
O senador Henry Waxman, também republicano, advertiu o presidente do COI de que o Congresso norte-americano ficará atento à vontade política da entidade em fazer valer as novas regras - e tomará medidas punitivas se achar necessário. Waxman citou especificamente a lei que ele ajudou a criar, que proíbe empresas do país de patrocinar eventos olímpicos se o COI não mudar radicalmente suas práticas.
Além da proibição das visitas a cidades-candidatas, o COI tem agora a participação de 15 atletas em atividade e novos limites de idade para impedir a presença vitalícia de executivos como o próprio Samaranch. "Fizemos o prometido", defendeu-se Samaranch.





