Mansfield, EUA (AE-AP) - Ano passado, Eric Roberson e Star, uma jovem fêmea labrador devolvida, estavam sentados em celas separadas. Ele estava há 16 anos de sua primeira audiência de condicional pela acusação de um assassinato ocorrido em 1992. Ela estava a um dia do sacrifício na Ashland Humane Society.
Em 24 horas eles estavam dividindo a cela de Roberson e ambos começaram a olhar em direção a um futuro melhor.
Enquanto muitas prisões em todos os EUA introduziram em seus currículos terapias e treinamentos para cachorros, a Mansfield Correctional Institution estabeleceu seu próprio e exclusivo programa. A instituição começou a juntar cachorros rejeitados da carrocinha e homens proscritos da prisão.
Chamado de "Fila de Cachorros Mortos" por seus internos, os cães são socializados e treinados dentro das paredes da prisão e então colocados para adoção. Desde que o programa começou, no outono de 1998, nenhum cachorro voltou para a carrocinha.
"Estes animais também são perdedores", explica a coordenadora do programa, Mull Carol. "Os homens se identificam com eles e têm muita vontade de ajudá-los".
Roberson, que deixou a escola secundária e é pai de duas meninas, terminou uma noite de bebidas e drogas com dois amigos com o roubo a um bar e o assassinato de seu proprietário. Quando os amigos testemunharam contra ele, Roberson apelou e acabou em Mansfield. Ele não se lembra muito sobre o que aconteceu naquela noite que selaria seu futuro.
Desde que chegou à prisão, superou seus vícios, conquistou um diploma de equivalência do segundo grau e foi batizado numa igreja presbiteriana. Mas o que ele diz que salvou seu coração foi o dia em que viu um folheto que procurava por voluntários para um programa de treinamento de cachorros.
"Nós estamos num ambiente cruel aqui", explica Roberson. "Eu sempre vi este lugar como sendo cheio dos rejeitos da sociedade, então eu não podia imaginar isso acontecendo".
Mas Warden Jesse Williams pôde. Williams tinha introduzido um programa piloto no Lorain Correctional Institution muitos anos antes. Ele descobriu que a presença dos cães lá promoveram treinamento e socialização não apenas para os cachorros, mas também para os prisioneiros.
Quando ele transferiu-se para Mansfield, sabia que queria um programa envolvendo cães lá também. Funcionários do Ashland Humane Society concordaram com a chance de participar.
"Isso é benéfico para eles, para nós e para a sociedade", diz Mull. "Eles ficam tão felizes que não há a necessidade de sacrificar os cães".
Os prisioneiros são classificados antes de obterem permissão para participar.
Há exame dos registros criminais de cada um - condenados por maus tratos a crianças e animais e predadores sexuais não participam - e da conduta dentro da prisão.
Uma vez escolhido o cachorro, o prisioneiro é inteiramente responsável pelos cuidados com ele: alimentação, aparência, limpeza, domesticação e treinamento.
Os companheiros de cela ajudam, mas nada além disso. O guarda da prisão Dale Thompson conduz grupos semanais de sessões de treinamento.
Aparentemente todos gostam dos cachorros. É difícil encontrar um funcionário que não tenha uma gaveta cheia de ossos e biscoitos caninos.
"Isso dá aos interno uma sensação de responsabilidade e a chance de devolver algo à sociedade, diz Williams.
Roberson concorda. "Eu não achava que tivesse ainda qualquer compaixão em mim, diz . "Mas quando eu recebi um dos primeiros cães do programa, uma filhote de boxer malhada chamada Brin, eu me apaixonei tão logo eles a colocaram em meus braços".
Ele carregou a frágil filhote através do jardim da prisão até seu pavilhão, sua compaixão misturada com ansiedade.
"Eu estava ansioso porque pensei que os caras iam achar que eu era frágil", continua, "e eu estava temeroso pela segurança dela".
Mas quando ele chegou ao pavilhão, os homens todos juntaram-se ao redor. Eles também pareciam temerosos de chegar muito perto, de demonstrar que preocupavam-se com algo. Roberson colocou a filhote no chão e ela começou a correr e pular. Os homens riram e estenderam as mãos para tocá-la.
Quando o mais frio e detestável homem do pavilhão caiu no chão e começou a rolar, rindo, com a filhote, Roberson soube que tudo estava indo bem.
Um ano e cinco cachorros mais tarde, ele recebeu Star. Enquanto muitos dos cachorros do programa foram mal tratados, não treinados e eram ariscos, parecia que Star havia sido o bicho de estimação de alguém. Ela era domesticada, não tinha medo dos estranhos barulhos da prisão e conhecia o comando para sentar-se. Pelas sete semanas seguintes, Roberson fez com ela treinos de obediência. Ela estava gravemente desnutrida, então ele se certificou de que ela voltasse ao peso normal com a comida fornecida pela Humane Society.
Com o passar das semanas, a ligação entre eles ficou mais forte.
"Não importa o que você fez ou que tipo de dia você teve, ela está sempre abanando seu rabo e dando beijos", diz Roberson enquanto acaricia a cabeça de Star.
"Ela me ama, independentemente dos problemas que eu tenho".
Star e Roberson dividem o mesmo pavilhão com outros 180 homens e outro cachorro. Os prisioneiros da oficina de marcenaria construíram as casinhas que encaixam-se nas celas dos presidiários. No Natal, cerca de 600 internos pagaram US$ 2,50 para terem uma fotografia tirada com Star ou um dos outros 15 cachorros do local, usando chapéus de papai Noel e posando em frente de um cenário pintado com motivos natalinos. O dinheiro arrecadado foi para um fundo para a compra de correias e coleira de couro feitas pelos cristãos Amish.
A guarda Kathy Schlaeg é voluntária no co-treinamento de Star
levando-a para casa nos finais de semana e mostrando a ela um ambiente diferente, com crianças, carros, lojas e grandes espaços ao ar livre.
Ela estava tão ligada á cadela, que quando chegou a hora de Star ser adotada, Schaeg entrou na lista. Ela encontrou-se com Roberson no escritório da prisão para levar Star para sua nova vida. Roberson ajoelhou-se perto de Star e acariciou-a.
"Ele foi tão suave com ela", explica Schaeg. "Como se ela fosse sua filha". "Ele disse a ela: Agora, seja uma boa menina. Lembre-se de tudo o que eu ensinei a você. Você está indo para um lar onde as pessoas irão amá-la".
Emocionado, Roberson deu a ela um último abraço, então levantou-se e saiu andando. "Agora, leve-a daqui", disse ele, sufocando suas lágrimas.
Nestes dias, Roberson procura Schaeg para perguntar como ela e a cadela estão indo. Schlaeg espera poder trazer Star de volta para uma visita algum dia.
Depois de várias semanas sozinho, Roberson está esperando por um novo cachorro para amar e treinar.
"O que eu fiz lá fora é algo que eu tenho que aceitar para continuar aqui", diz Roberson. "Mas eu aprendi que a vida é muito preciosa. Eu sei disso agora".

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