Salvador, 06 (AE) - Embora a cidade respire festa desde o início do verão, com os ensaios diários de blocos e bandas, a folia começa oficialmente na quarta-feira, com os desfiles dos chamados blocos alternativos no circuito da orla, um trecho de três quilômetros entre o Largo do Farol da Barra e a Praia de Ondina. A capital baiana espera neste ano contar com 2 milhões de foliões, sendo mais de 200 mil turistas. O carnaval baiano será animado por cerca de 200 bandas, blocos e trios elétricos.
No centro, os blocos começam a sair na quinta-feira para os desfiles entre as Praças do Campo Grande e Castro Alves. Tambores e guitarras devem animar os foliões até a manhã da Quarta-Feira de Cinzas, o que é considerado uma ofensa pela Igreja Católica. Este ano, porém, os religiosos têm outra preocupação: os hits do padre Marcelo Rossi foram incluídos no repertório dos trios elétricos e animarão a folia. Essas músicas devem ser uma das poucas novidades do carnaval de Salvador.
A cantora jamaicana Grace Jones, que se apresentaria no trio de Margareth Menezes, cancelou sua participação. O contrato teria sido rompido em função da desvalorização do real, que tornou o cachê muito alto. As estrelas nacionais, no entanto, estão confirmadas, puxando blocos nos sete dias de festa: Daniela Mercury, É o Tchan, Carlinhos Brown, Ivete Sangalo, Araketu, trio elétrico Dodô, Osmar e Armandinho. Fundação - O carnaval baiano vai comemorar os 450 anos de fundação de Salvador. O símbolo da festa é a índia Catarina Paraguaçu, mulher do náufrago Diogo Alvares, conhecido como Caramuru, resgatado por índios, na Praia do Rio Vermelho, em 1509. Catarina é considerada a mulher mais importante do primeiro século da colonização brasileira e teria ajudado de forma decisiva na fundação da cidade. A índia inspirou a decoração das ruas, que mostra elementos das três etnias que ajudaram a formar o povo baiano.
A festa em Salvador cresceu tanto que deve movimentar este ano, de acordo com a Empresa de Turismo de Salvador (Emtursa), mais de R$ 200 milhões. Somente com a venda de abadás (fantasias que dão direito ao desfile nos blocos) as entidades carnavalescas faturaram no ano passado R$ 60 milhões, valor que deve crescer neste ano. Os hotéis da cidade estão lotados, mas ainda se pode conseguir hospedagem para a festa em albergues, pousadas ou campings.
A folia fez nascer uma curiosa profissão na cidade: os cordeiros. São eles quem seguram a corda para isolar os associados dos blocos dos outros foliões. Cerca de 90 mil cordeiros, já foram contratados pelos blocos para trabalhar neste ano. Informações sobre hospedagem e sobre inscrições para desfilar nos blocos podem ser obtidas pelo telefone (071) 321-2979/4346

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