São Paulo - Salvador, capital baiana, é a cidade brasileira com maior incidência de portadores do vírus HTLV-1, que pertence ao grupo de retrovírus, que inclui o HIV, causador da Aids.
Segundo dados da Fiocruz, 1,5% da população de doadores de sangue de Salvador (para cada grupo de 200) têm o vírus, contra 0,08% dos doadores de Santa Catarina e 0,33% do Rio de Janeiro. O HTLV ataca células denominadas linfócitos T, responsáveis pela defesa do organismo. Dos portadores, estima-se que ao menos 5% desenvolverão uma das
doenças relacionadas ao vírus.
A principal diferença entre o HTLV e o HIV, segundo a Fiocruz, é que o primeiro induz as células de defesa infectadas a se multiplicaram continuamente, causando uma inflamação. Já o HIV causa uma supressão imunológica, diminuindo a produção das células de defesa.
Segundo o urologista Neviton Castro, a ação do vírus no organismo pode provocar duas doenças: leucemia/linfoma de células T do adulto -que é uma forma mais agressiva do câncer e que evolui rapidamente- e mielopatia, doença do sistema nervoso central que causa uma inflamação da medula e leva à fraqueza dos membros inferiores e até perda dos movimentos.
Um estudo coordenado por Costa aponta que 45,5% dos pacientes homens que desenvolveram a mielopatia também relataram problemas de disfunção sexual.
''A mielopatia provoca uma inflamação na medula e afeta diretamente os nervos. Não há comunicação adequada com o cérebro e o homem passa a perder o movimento das pernas, sofrer incontinência urinária e também a perda da ereção, exatamente por causa da falta de coordenação neurológica'', diz o pesquisador.
O agravante é que a pessoa infectada pelo HTLV-1, na maioria dos casos, não apresenta sintomas e o portador do vírus é um potencial transmissor da doença. As principais formas de transmissão acontecem por meio de relações sexuais, transfusões sanguíneas, compartilhamento de seringas, agulhas ou objetos cortante e durante a amamentação.

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