Desde que foi lançado em 1998, o Sildenafil (Viagra) ganhou status entre as grandes descobertas da medicina no século XX, ao lado da Pinicilina. Um dos remédios mais vendidos no Brasil desde então, o Viagra tem sido a ''salvação da lavoura'' e da dignidade para os portadores de impotência sexual ou disfunção erétil.
Segundo o médico-psiquiatra Moacir Costa, o medicamento demonstrou, no caso do tratamento da impotência de origem psicológica, 80% de chances de cura. Já naqueles casos mais graves, como câncer de próstata e diabetes tardia, a eficiência baixa para 50%.
Costa, que é coordenador da Comissão de Sexualidade da Sociedade Brasileira de Urologia e autor de várias livros sobre o assunto, explica que estudos epidemilógicos realizados pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) mostram que a impotência sexual, desde a leve até a severa, atinge entre 47% e 54% os homens na faixa de 40 a 70 anos. Época essa, explica, em que a população economicamente ativa começa a adoecer, além das complicações como a obesidade e depressão.
Fatores sociais também influem para o agravamento do problema, através da baixa na auto-estima. ''O desemprego aumenta duas vezes as chances do homem sofrer de impotência''.
Ele alerta para o uso indiscriminado da medicação, principalmente através da aquisição no mercado negro. ''Muitas vezes, por falta de coragem em procurar um especialista o paciente acaba adquirindo a medicação de forma ilícita'', diz o psiquiatra.
Outra observação é quanto ao uso recreativo do Viagra, principalmente entre os jovens, também motivado pela clandestinidade. ''Toda coisa clandestina tem sempre um sabor de novidade. Ao usar o Viagra, o jovem tem a fantasia de que (o remédio) vai aumentar a potência do homem. Ele terá ereções mais prolongadas, mas é o mesmo que tomar uma analgésico se ele não tem dor de cabeça'', analisa Costa.
Para o especialista, essa sensação é estimulada pelo uso abusivo do medicamento aliado ao consumo de álcool. ''É uma busca de auto-afirmação do jovem, puro machismo'', ressalta o especialista.
Para o neurocirurgião e presidente da Associção Médica de Londrina (AML), Pedro Garcia Lopes, o problema não está no remédio, mas na sua compra. ''Comprar por telefone, sem uma empresa registrada para a venda de medicamento, é preciso tomar cuidado, pois o paciente corre o risco de estar comprando algo falso, que não cumpre aquilo que se propõe'', adverte. ''Tem que localizar estes indivíduos'', acrescenta, referindo-se aos comerciantes clandestinos.

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