Há cerca de seis meses, a secretária Denise Mendes Azevedo, 27 anos, se envolveu em um acidente na Avenida 23 de Maio, em São Paulo. Ninguém se feriu, mas ela ficou com trauma e dois meses sem dirigir. Procurou ajuda de especialistas, reconstituiu o acidente e passou horas dirigindo ao lado de um profissional, até ter segurança para retornar ao volante de seu Gol. No entanto, o sapato de salto agulha que provocou o acidente nunca mais voltou para seus pés. ‘‘Achava que o salto alto chegava antes no pedal, facilitando a direção. Agora sei que ele não dá segurança, pelo contrário, coloca a vida em perigo’’, disse.
No momento do acidente, o carro que estava na frente freou e Denise não conseguiu fazer o mesmo. ‘‘O salto prendeu e, em vez de pisar do freio, acabei pisando no acelerador.’’ Atualmente, Denise dirige de tênis ou sapatilha e leva o sapato de salto alto dentro do carro, para colocá-lo quando chega ao trabalho.
O mesmo faz a escrevente Heloisa Helena Carneiro da Cunha, 42 anos. Cuidadosa, Heloisa afirmou que sempre dirigiu com atenção. Há dois anos, o salto alto provocou uma colisão no trânsito também na capital paulista. ‘‘Estava no meu Palio novinho e o carro da frente brecou para entrar à direita. Meu salto enroscou nos quadradinhos do carpete e, em vez de brecar o carro, foi o sapato que me freou’’, disse.
Adepta dos saltos altos, a fisioterapeuta Michele Scarant acha que eles não causam problema. ‘‘Uso anabela constantemente. Acho que o modelo que incomoda e pode até engatar são os baixinhos, tipo chinelinho. Comigo já aconteceu da parte de trás ficar presa no tapete. Nesse dia eu dirigi descalça’’.(A.F.)

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