Nova York, 27 (AE-DOW JONES) - O banco de investimentos Salomon Smith Barney disse hoje (27) que a incerteza a respeito de se o Brasil irá suportar seu novo regime de taxa de câmbio deve ser prolongada pelas dúvidas a respeito da capacidade do País de pagar suas dívidas.
O Salomon afirmou que mesmo o fato do Brasil ter feito acordo com o FMI ano passado pode se tornar uma desvantagem. "Se a crise ocorrer mesmo assim, será mais difícil gerar um fator de bem- estar capaz de tornar os eventos positivos", afirmou o economista do Salomon encarregado da América Latina, Joseph Petry.
O Salomon prevê ainda que as taxas de juro vão subir para 50% até o final do ano. Notando que a taxa de juro é um dos poucos mecanismos de que o governo dispõe para estabilizar a moeda e combater a inflação, Petry disse que "o governo será fortemente pressionado para baixar os juros nominais radicalmente".
No front fiscal, o Salomon afirmou que "cada 10 cents (US$ 0,10) que a moeda brasileira enfraquece resulta em 0,6% de queda no PIB" por causa da dívida denominada e atrelada ao dólar do País. Adicionando o impacto das taxas de juro altas e menor expectativa de crescimento econômico, o Salomon crê que o déficit fiscal possa atingir o patamar de 15% do PIB em 99.
Mas, admitindo que este cálculo é "muito duro", o Salomon afirmou que pelo momento está mantendo sua projeção para o déficit fiscal brasileiro em 11% do PIB. "Mas nos dois casos, os números sugerem que o governo tem uma estrada difícil adiante, a respeuto do déficit fiscal", declarou Petry.

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