Brasília, 17 (AE) - As estimativas para o saldo comercial deste ano poderão ser totalmente alteradas, dependendo do comportamento dos Estados Unidos e da China, disse hoje o secretário de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento
Indústria e Comércio, Mário Marconini. Caso os Estados Unidos promovam uma redução nas taxas de juros, as exportações brasileiras cairão ainda mais. Da mesma forma, uma desvalorização na moeda chinesa poderá afetar as vendas brasileiras ao exterior.
"Isso mostra como a exportação é refém das condições do mercado internacional", comentou o secretário.
Ele informou que 22% das exportações brasileiras vão para os Estados Unidos. No primeiro quadrimestre deste ano, foram exportados US$ 3,035 bilhões para lá, registrando uma redução de 0,1% com relação a igual período no ano passado. Nas transações brasileiras com aquele país, foi registrado um déficit de US$ 635 milhões de janeiro a abril, contra um saldo negativo de US$ 1,371 bilhão em 98.
Marconini observou ainda que uma eventual desvalorização da moeda chinesa, que vem sendo prevista por analistas internacionais, "mexeria com a estrutura de preços relativos no mundo inteiro." Desvalorizando sua moeda, os chineses conseguiriam expandir seu volume de exportações, prejudicando as vendas brasileiras no exterior. Atualmente, o Brasil tem um déficit comercial de US$ 11 milhões com aquele país.
Asiáticos - Pela primeira vez desde a crise asiática, em outubro de 97, cresceram as exportações brasileiras para o bloco. Em abril, foram exportados US$ 86 milhões para o chamado Grupo dos Cinco, formado por Coréia do Sul, Filipinas, Indonésia
Malásia e Tailândia. O valor significou um crescimento de 14,7% sobre as vendas de abril de 98. No acumulado de janeiro a abril, o crescimento é de 2,6%.
Marconini disse que a reação das vendas para a ásia deverá favorecer as exportações brasileiras. Porém, para que essa recuperação se sustente, é necessário que a economia japonesa volte a crescer. As estimativas oficiais naquele país são de crescimento de 0,5% entre abril de 99 e março de 2000, mas os analistas fazem projeções menos otimistas.
Em abril, segundo dados divulgados ontem pelo MDIC, houve queda nas exportações brasileiras de produtos básicos (-25 8%), semimanufaturados (-19,7%) e manufaturados (-15,7%). O principal fator para a redução continuou sendo a queda nos preços internacional das commodities, uma tendência que se estabeleceu há três anos.
O café, por exemplo, teve uma queda de preço de 42,7% com relação a abril de 98. Porém, o Brasil ampliou neste ano as quantidades embarcadas em 64,6%, obtendo, assim, um aumento de 45,7% nas receitas com a venda do produto.
Também em abril, houve queda nas importações em todos os grupos de produtos, na comparação com abril de 98: bens de capital (-19,4%), bens de consumo duráveis (-24,6%), bens de consumo não duráveis (-25,1%), combustíveis e lubrificantes (-23%) e matérias primas (-19,1%).
Segundo Marconini, em abril foi registrado um crescimento de 7% nas importações de maquinaria industrial. "Isso indica perspectiva positiva quanto à recuperação da atividade produtiva, baseada na modernização do parque industrial", comentou.

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