Washington, 06 (AE-DOW JONES) - Os salários dos trabalhadores norte-americanos subiram em julho no ritmo mais acelerado dos últimos seis meses, enquanto o forte desempenho do setor industrial ajudou a elevar as folhas de pagamento além das expectativas, suscitando temores de alta nos preços. Um relatório divulgado hoje (06) pelo Departamento do Trabalho dos Estados Unidos revela que a média da remuneração por hora aumentou 0,5% no mês passado, passando de US$ 13,23 em junho para US$ 13,29, depois de registrar um ganho de 0,.4% em junho.
O mesmo documento mostra que 310 mil pessoas foram contratadas e o desemprego de 4,3% está próximo ao nível mais baixo verificado em 30 anos. O ganho no número de empregos criados em julho supera as estimativas mais otimistas dos especialistas, que previam a contratação de 199 mil a 206 mil pessoas, depois da criação de 273 mil postos de trabalho em junho, mas o setor de manufaturados finalmente começou a oferecer novas vagas, depois de mais de oito meses de estagnação.
Essa onda de contratações deverá, segundo analistas, durar alguns meses, pois empresas como a Motorola, segunda maior fabricante de telefones celulares, e a Schaumburg, de Illinois, também do setor de tecnologia, pretendem continuar abrindo vagas. "Certamente precisamos ganhar competitividade oferecendo novos benefícios para atrair empregados", afirmam os representantes de ambas as empresas.
O comentário mais comum entre os especialistas das grandes empresas, para justificar a concessão de benefícios, é que a contratação de bons profissionais está cada vez mais difícil. A média dos salários dos horistas aumentou US$ 0,06 em julho e continua subindo, dizem.
"A economia norte-americana", diz Jeremy Hawking, do BankAmerica em Londres, "não está vivendo um processo de desaceleração tão ágil quanto o Federal Reserve (Fed), banco central dos EUA, pretendia". Segundo ele, é inevitável que o Fed tome uma atitude ainda este mês, elevando os juros em mais 0 25 ponto porcentual, para conter o crescimento econômico e impedir pressões inflacionárias.
"A elevação da média da hora remunerada é uma arma de fumaça" para o Fed, disse um economista do First Union Corp. Em Charlotte. Tanto que os bônus do Tesouro norte-americano e as ações reagiram ontem imediatamente. Os preços dos títulos de 30 anos do Tesouro caíram mais de um ponto, fazendo com que a remuneração saltasse 9 pontos-base, para 6,14%. No início da tarde, o Índice Dow Jones das ações industriais também registrava queda.
A secretária de Trabalho, Alexis Herman, falando após a divulgação do relatório, disse que a expansão do nível de emprego é tão consistente "que já se pode prever um crescimento econômico entre 3% e 4% do Produto Interno Bruto (PIB) no terceiro trimestre". Ela alertou, porém, para os perigos de "arriscar um julgamento apressado" em relação ao nível de emprego, que muitos "consideram um sinal claro de inflação". Para a secretária, o "aumento de produtividade e produção por trabalhador estão compensando os aumentos reais de salários".
Na avaliação de alguns especialistas do setor privado, contudo, os últimos reajustes de salários indicam que as pressões tem sido crescentes e podem criar problemas mais adiante para o governo do presidente Bill Clinton, que registra o nono ano de expansão. Katharine Abraham, diretora do Bureau de Estatísticas de Trabalho observou que a criação de novos postos está bem acima da média mensal dos últimos seis meses, que ficou em 208 mil postos. Além disso, só no setor de manufaturados foram abertas este mês 31 mil novas vagas.

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