Salário não deve pressionar inflação
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domingo, 28 de novembro de 1999
Por Liliana Pinheiro 
São Paulo, 28 (AE) - No ano 2000, com muita sorte, o Brasil conseguirá apenas recuperar a massa de rendimentos de 1998, que já não foi grande coisa perto de anos anteriores. Isso significa, segundo o diretor-técnico do Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Sócio-Econômicos (Dieese), Sérgio Mendonça, que ninguém deve temer a volta da inflação por conta do discreto aumento de empregos deste fim de ano e da recuperação dos salários de grandes categorias.
Para o economista, a inflação pode voltar, mas causada por pressões externas, por um eventual descontrole do câmbio, mas não por um aumento de emprego e renda que produza um forte aquecimento da demanda.
"A mais otimista das previsões de crescimento do País é a do próprio governo, de 4% no ano que vem", afirma. "Esse índice é insuficiente para que emprego e renda voltem ao nível de 1997 e talvez até mesmo ao de 1998."
O índice de rendimento real do trabalhador da Grande São Paulo, por exemplo, já caiu 8,2%, em média, este ano (até setembro), em relação à média de 1997, e 4,6% em relação à do ano passado. Já o índice que mostra a evolução da massa de rendimentos caiu ainda mais: 10,6% na comparação com 1997 e 5,1% em relação ao ano passado.
A massa de rendimentos é um indicador importante da capacidade de consumo da sociedade, pois o cálculo inclui não apenas a renda, mas também os empregos disponíveis no mercado. Os números são da Pesquisa de Emprego e Desemprego do convênio Seade-Dieese.
Mesmo com os recentes ganhos salariais de categorias fortes, em negociações com empresários - bancários, metalúrgicos e químicos, por exemplo, tiveram reposição integral da inflação passada - nada indica que haverá um aquecimento do consumo no País que sirva de combustível para a inflação.
Tomando por base os meses de setembro dos últimos quatro anos, o rendimento médio dos ocupados (assalariados ou não) só caiu. Já descontada a inflação (ou seja, trata-se do valor real)
os trabalhadores tinham um ganho médio de R$ 929 em 1995. No ano passado, esse valor caiu para R$ 885. Este ano, para R$ 851.
É verdade que as estatísticas indicam recuperação do rendimento e do emprego neste fim de ano. Mas em anos anteriores isso também ocorreu e durou pouco. Trata-se de um fenômeno sazonal, que se reflete especialmente no comércio e no setor de serviços. Além disso, a recuperação da economia está muito lenta para compensar as perdas registradas em dois anos de recessão.


