Recife, 31 (AE) - O presidente do Banco Central, Armínio Fraga, afirmou hoje, no Recife, que a estimativa de inflação para este ano, calculada em 6,3%, poderá aumentar caso o salário mínimo proposto pelo Governo Federal não seja aceito. "O valor previsto na projeção da inflação foi o de R$ 151,00", afirmou Fraga, ao observar que os aumentos subsequentes que o salário mínimo venha a ter a partir de pisos regionais diferenciados também poderão levar a uma revisão da estimativa. Ele disse não ser possível prever tais alterações. "É preciso que a lei seja aprovada e que os Estados tomem suas decisões", disse.
Fraga disse que o aumento das tarifas públicas - de 9,2% para 11,2% - não interferiu na inflação prevista para 2000, que está atrelada, entretanto, à manutenção da "atual trajetória monetária" e a fatores externos como o preço do petróleo.
Para 2001, a inflação prevista é ainda menor, de 3,6%, meta que levou à atual redução das taxas de juros. Neste caso, de acordo com o presidente do Banco Central, não houve especificação para o salário mínimo. "A conta tem que ser revista quando chegar a hora", observou ele.
Sobre o alongamento do perfil da dívida pública do Governo Federal, Fraga disse que o objetivo a curto prazo é dobrar o prazo de pagamento, atualmente de dois anos, para quatro anos. Ele espera conseguir isso em um ano, de forma gradual e sem negociação, mas através de "um processo que vem acontecendo normalmente no mercado" e cujos resultados ele considera satisfatórios.
Hoje a dívida representa 47% do Produto Interno Bruto (PIB) nacional e parte dela é negociada no mercado. Fraga informou que o percentual pré-fixado da dívida é inferior a 30%, mas a idéia é aumentar para 50% e, no longuíssimo prazo, passar muito deste percentual. "Não há prazo para isso porque há outras metas mais importantes a serem alcançadas, como as metas fiscais e para inflação", observou. "Acredito que o alongamento da dívida vai ser uma consequência do cumprimento dessas metas".
O presidente do Banco Central fez uma palestra para empresários na Federação da Indústria do Estado de Pernambuco (Fiepe), atendendo a convite do deputado federal Armando Monteiro Neto (PMDB-PE), que é presidente da federação.

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