São Paulo, 31 (AE) - O governo paulista está avaliando com cautela a proposta do governo federal que cria o salário mínimo regional - um tipo de piso profissional - variável em cada Estado. Oficialmente, as secretarias estaduais relacionadas ao assunto, como Fazenda, Planejamento e Emprego, estão mais voltadas para questão da constitucionalidade ou não da proposta, sem a preocupação com a fixação de valores. Ao mesmo tempo, mas sem alarde, os secretários pesquisam pisos salariais das várias categorias profissionais e estudam a adoção de um valor médio que não cause impacto para o orçamento do Estado e nem afete pequenas prefeituras e o setor privado.
Quando o estudo estiver pronto e com valor já definido para o salário mínimo paulista, ele deverá ser entregue ao governador Mário Covas (PSDB), que encaminhará a proposta à Assembléia Legislativa. O Palácio dos Bandeirantes não confirma que o mínimo paulista ficará em torno de R$ 300,00, de acordo com versões que circulam nos meios políticos. As referências concretas no momento são o piso do funcionalismo estadual, de R$ 240,00, e os menores pisos do setor privado, respectivamente de R$ 215,00 (para a categoria de asseio e limpeza) e de R$ 221,00 no setor rural, segundo o Dieese.
O governador Mário Covas evita falar em valores, mas discorda da avaliação de que um piso mais elevado incentivaria a migração de trabalhadores para os Estados de salários mais altos. Para o governador, benefícios públicos como escolas e hospitais acabam tendo pesos mais determinantes nesse sentido. "O fato de o valor do salário mínimo ter sido único até agora não tem evitado o êxodo interno de trabalhadores", argumenta Covas, defensor de um salário mínimo regional e sem vinculação com a Previdência. "Isso acabaria com a desculpa, que é verdadeira, de que não se mexe no salário mínimo para não aumentar o déficit da Previdência."
Segundo o secretário estadual de Emprego e Relações do Trabalho, Walter Barelli, independente da criação do piso regional, o governo federal deveria adotar uma política de elevação de renda, mecanismo que paulatinamente elevaria o salário mínimo nacional, como um todo, à média dos do Mercosul, de cerca de R$ 200,00.
Fiesp - A Fiesp não acredita que a elevação do salário mínimo no Estado poderá gerar impacto nos salários dos trabalhadores da indústria. De acordo com a entidade, os menores salários pagos pelas empresas paulistas estão em torno de R$ 300 00, valor que possivelmente será proposto pelo governo paulista. Além disso, conforme explicaram vários empresários, os reajustes não são vinculados ao mínimo, mas à data-base de cada categoria. O diretor-adjunto do Departamento e Estudos Econômicos (Depecon) da Fiesp, Roberto Faldini, disse não acreditar na pressão dos trabalhadores para que os salários da indústria acompanhem a valorização real do mínimo. Mas, caso isso ocorra, ele prevê o aumento do desemprego. "A indústria só pagará um centavo a mais se o mercado puder pagar mais por bens e serviços", afirmou.
A diretora titular do Depecon, Clarice Seibel, também não vê possibilidade de o mínimo de R$ 300 afetar os salários da indústria, que não estão vinculados ao piso salarial do País. "A pressão maior é pelo emprego", diz. Segunda Clarice, o trabalhador sabe que, atrás dele, tem outros 20 esperando para ocupar a sua vaga. Na avaliação de Faldini, o mercado é quem deve definir o valor do salário mínimo.

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