Salário dos professores: avanços e problemas
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sexta-feira, 22 de maio de 2015
Celso Felizardo<br>Reportagem Local 
Londrina A queda de braço entre o governo estadual e os sindicatos dos servidores, principalmente o dos professores, que representam dois terços do funcionalismo, segue acirrada e sem previsão de terminar. O governador Beto Richa (PSDB) oferece reajuste de 5% enquanto os trabalhadores não aceitam menos que a reposição da inflação do período, calculada em 8,17% (pelo IPCA). Em meio ao embate, o governo enfatiza que o salário dos professores é um dos mais altos do País e teve reajuste de 60% nos últimos quatro anos. A APP Sindicato reconhece avanços na questão salarial, mas considera que o processo precisa ser consolidado.
No Paraná, o professor da rede estadual que inicia na carreira recebe R$ 2.473,22 para jornada de 40 horas. O salário inicial fica atrás do Distrito Federal e de estados como Rio de Janeiro, Roraima e Amapá, estados onde os salários variam de R$ 2.948,33 até R$ 2.511,86. O ranking mostra o Estado à frente de São Paulo, que paga R$ 2.415,89, e de Santa Catarina, onde o salário de começo de carreira é de R$ 2.268. Nos dois estados, os servidores da educação também estão em greve. O Conselho Nacional de Secretários de Educação (Consed) desaconselha a elaboração de rankings, pois as realidades dos estados são distintas e os quesitos analisados são de difícil comparação.
Já o Rio Grande do Sul tem uma das piores situações do País. A remuneração no Estado, de R$ 1.260,20, fica abaixo do piso nacional, que prevê R$ 1.917,78 para jornada de 40 horas. Para chegar ao piso, o governo paga um completivo até atingir o mínimo permitido. A presidente do Centro de Professores do Rio Grande do Sul (Cpers/Sindicato), Helenir Aguiar Oliveira, informou que os professores já estão em mobilização para aprovar um indicativo de greve para o mês que vem. "Esse completivo não incide em nenhum direito, como o FGTS ou a aposentadoria. O completivo distorce a carreira do Estado", criticou.
BENEFÍCIOS
Além do salário, o governo do Paraná também considera remuneração inicial os R$ 721,48 pagos de auxílio transporte, o que totaliza vencimentos de R$ 3.194,70. O presidente da APP Sindicato, Hermes Silva Leão, também critica as quantias não inseridas no salário. "Benefício não é salário. Conheço um casal de professores em que os dois estão para se aposentar. São quase R$ 1,5 mil a menos. É dinheiro que eles têm direito e que vai fazer falta", exemplificou.
A Casa Civil informou que a remuneração média dos professores do Estado é de R$ 4,7 mil, incluindo o auxílio transporte. Quem avançar na carreira e chegar ao topo da pode chegar a receber até R$ 10 mil, valor mais alto que o de São Paulo, de R$ 6,8 mil para as mesmas 40 horas semanais. "O salário que eu pago para os professores do Paraná é um dos maiores do Brasil. É o maior aumento salarial nos últimos quatros aos professores da história do Paraná, se não do Brasil", disse Richa em recente entrevista.
Leão admite os avanços no salário inicial da carreira, que considera resultado de uma luta de décadas. No entanto, são nos níveis mais avançados que há mais defasagem. "Só atinge os R$ 10 mil anunciados pelo governo uma minoria absoluta. Uma das exigências é o curso do PDE, que têm vagas limitadas. Este ano a turma de fevereiro foi adiada para julho, por exemplo", expôs, referindo-se ao Programa de Desenvolvimento Educacional. O sindicalista também disse acreditar em uma "discriminação por quantidade" por parte do governo. "Do total de servidores do Estado, mais de 60% são da Educação, no entanto, só representam 38% da folha de pagamento", comparou.


