Brasília, DF- Um estudo divulgado ontem pelo Ministério da Justiça comparando o salário dos magistrados brasileiros com outros 29 países revela que o juiz no Brasil está entre os que mais ganham. A conclusão faz parte de pesquisa apresentada como ''diagnóstico' do Poder Judiciário. ''O nosso propósito, nossa vontade, é fazer um trabalho em comunhão, de preparação do futuro. Não de fazer chover, mas de construir as nuvens', afirmou o ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, na divulgação da pesquisa.
Segundo dados do Banco Mundial, que constam no diagnóstico, o salário do magistrados brasileiros só perde para o dos canadenses, na primeira instância (varas federais). Na segunda instância (3º) e nos tribunais superiores (7º), o vencimento dos juízes nacionais figura entre as dez maiores do mundo.
Ao comparar a destinação de recursos públicos para o Judiciário, o Ministério da Justiça verificou que o Brasil ocupa o primeiro lugar no ranking de repasses em um grupo de 35 países. Ou seja, é o que mais destina dinheiro para os tribunais, englobando as esferas da União, dos Estados e dos municípios. Estão na lista Itália, Espanha, África do Sul, Dinamarca e Noruega, por exemplo.
Intitulado ''Diagnósticos do Poder Judiciário' e com cerca de 113 páginas, o estudo foi feito a um custo de R$ 100 mil. A equipe contratada pelo Ministério da Justiça analisou questionários enviados aos 96 tribunais do país, sobre a quantidade de magistrados, número de processos julgados etc.
Verificou-se que no Amapá, com 57 comarcas e 32,8 mil processos julgados no ano passado, o governo estadual gasta R$ 6.839 com cada processo, o maior valor do país. A ação mais barata está na Paraíba, cujo governo gasta R$ 973 por processo.
Uma das conclusões do trabalho critica o modo como os recursos são aplicados nos Estados. ''Na Justiça comum, não há relação direta entre o volume de gastos com a Justiça e a produtividade na prestação jurisdicional', destaca o texto.
O secretário de Reforma do Judiciário, Sérgio Renault, criticou a falta de modernização na gestão da Justiça. ''O Poder Judiciário ficou parado no tempo, é preciso chegar ao século 21. Há um acréscimo de investimento no Poder Judiciário que não é correspondido por melhoria do serviço. Falta direcionamento, é preciso racionalizar.'

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