Sala de aula invertida é saída apontada pela iniciativa privada
Curitiba As instituições privadas também têm adotado iniciativas inovadoras com o objetivo de melhorar a qualidade de ensino e formar profissionais mais produtivos. Um dos modelos colocados em prática é o da "sala de aula invertida". Nesse processo, o aluno assume o comando da própria aprendizagem, atribuindo ao professor o papel de mediador dos conteúdos a serem adquiridos. "Dessa maneira, ele abandona a condição de aluno que apenas recebe conteúdo e passa a ser um profissional em busca de formação", ressalta a diretora da Faculdade da Indústria Instituto Euvaldo Lodi (IEL), Alessandra Campos. A instituição, que integra o Sistema Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep), surgiu justamente a partir da necessidade da indústria de qualificar a mão de obra.
A "sala de aula invertida" foi implementada no primeiro semestre deste ano para os primeiros períodos dos sete cursos de graduação oferecidos pela entidade. O novo modelo inclui uma nova disposição do espaço da sala de aula, com mesas redondas e a retirada do quadro negro. Além disso, os professores orientam os chamados projetos integradores, em que os conteúdos são trabalhados a partir de uma situação real a ser resolvida pelos alunos, organizados em grupos. Segundo Alessandra, esse conjunto de ações trouxe uma série de efeitos benéficos, que vão desde o aumento do comprometimento do aluno e no desenvolvimento de habilidades e competências. "Nossa média de evasão no primeiro período de cada curso caiu de 23% para 7%", destaca.
Com uma metodologia que também prima pela autonomia, o Colégio Sesi trabalha os conteúdos exigidos pelo MEC em grandes temas que, de forma interdisciplinar, são tratados de acordo com a metodologia das oficinas de aprendizagens. "Os alunos escolhem os temas, como, por exemplo, a África, e ao final de cada bimestre têm que resolver um desafio ou dar resposta a uma pergunta inteligente em equipe. Para isso, precisam lidar com as diferenças de níveis de conhecimento. Isso gera autonomia, engajamento e faz com que cada um desenvolva o prazer de aprender e de ensinar para quem sabe menos, daí a importância de turmas interseriadas", descreve a gerente de educação do Sesi, Lilian Luitz.
O sucesso do método contribuiu para a expansão do Colégio Sesi, considerada a maior rede de ensino médio particular do Paraná, com 55 unidades em várias cidades do Estado, incluindo Londrina e Maringá, e atendendo mais de 13 mil alunos.
Já o Centro Universitário Unicesumar, responsável pela formação superior de 80 mil alunos entre os cursos presenciais e de educação a distância (EAD), consegue figurar entre as instituições de ensino superior no Brasil com o IGC4 (em um escala de 1 a 5 do MEC). "Mesmo com a deformação de uma educação anticonhecimento praticada nos níveis anteriores, conseguimos reverter o quadro e garantir qualidade aos profissionais", aponta o reitor Wilson de Matos Silva. Defensor da educação integral, o reitor tem na ponta da língua o tamanho do desperdício de tempo na educação básica. "No Brasil, das quatro horas de presença, meia hora se perde entre a merenda e organização dos alunos para retornarem à segunda etapa das aulas. Mais de 32% do tempo é perdido com indisciplina e atividades burocráticas, sobrando duas horas e meia para uma educação fraca e que o aluno pode faltar 25% do curso. É pouco tempo diante de tantas demandas de nossa sociedade", avalia. (M.M.)





