Brasília, 18 (AE) - A saída do senador Artur da Távola (RJ) do PSDB, anunciada ontem (17), fortaleceu os setores do partido que querem aumentar o espaço tucano dentro do governo. Távola foi presidente do PSDB e fundador do partido, além de ser amigo do presidente Fernando Henrique Cardoso. "Eu me senti como se recebesse uma paulada na cabeça", disse o presidente da legenda
Teotônio Vilella Filho (AL). "Ainda quero entender o que aconteceu."
Para o líder do governo no Senado, José Roberto Arruda (PSDB-DF), é um sinal de que o governo federal tem que reformular sua posição. "Movimentos como estes traduzem um momento difícil do partido. Ao contrário do que foi veiculado pela mídia, a sensação interna é que houve perda de espaço político do PSDB dentro do governo", afirmou Arruda. "Basta comparar o que está acontecendo com o PSDB ultimamente e o que vivem os outros partidos."
Além de Távola, outro senador tucano, Carlos Wilson (PE), deve se desligar do partido este mês, por motivos locais. "Há uma disputa dentro do PSDB em Pernambuco sobre o apoio ou não ao governador Jarbas Vasconcelos (PMDB), que estamos tentando contornar", disse Teotônio. Embora ainda não tenha se desligado do PSDB, Wilson já anunciou que pretende ingressar no PTB.
No começo do ano, o PSDB já havia perdido outro senador, o amazonense Jefferson Peres, que ingressou no PDT. E há dois meses, teve um desfalque importante na Câmara, o deputado Roberto Brant (MG), que foi o relator do pacote de ajuste fiscal de 97. Ele foi para o PFL buscando uma vaga garantida na disputa majoritária em Minas Gerais nas eleições de 2002. Com o mesmo objetivo, migraram também para o PFL os deputados José Thomaz Nonô (AL) e Wilson Braga (PB). A mais importante adesão que o partido recebeu foi a do senador Romero Jucá (RR), ex-governador de Roraima.
O pensamento em 2002 também fortaleceu a decisão de Távola de abandonar o partido. Ao anunciar sua saída, o senador disse que um dos seus objetivos era "construir uma alternativa de poder dentro da esquerda democrática não estatizante".
As defecções no PSDB ocorrem num momento em que o partido ganha espaço na mídia com o aumento da atuação política do governador de São Paulo, Mário Covas, que passou a se dedicar mais aos temas nacionais depois de encerrar o seu tratamento de quimioterapia e é visto como o candidato preferencial do partido à sucessão de Fernando Henrique. "As posições que Covas vem tomando são extremamente saudáveis para o partido. No primeiro mandato dele, Covas ficou muito preso na gerência do estado e agora está de volta ao cenário nacional, o que revitalizou o partido", disse Teotônio.
O dirigente tucano lembra que o PSDB não dispõe da possibilidade de se afastar do presidente Fernando Henrique para melhorar o seu desempenho eleitoral, caso o governo federal permaneça impopular em 2002. " Uma posição independente é inteiramente impossível. O que precisamos é entrar em campo para distinguir o nosso perfil dos outros partidos aliados e defender os avanços que o governo vem promovendo", afirmou. De acordo com o senador, "na percepção popular", a aliança com o PFL e o PMDB "provoca uma certa confusão sobre as diferenças que existem entre cada um dos partidos".
Para manter o partido em evidência apesar da impopularidade de Fernando Henrique, o PSDB articula para que o governador do Ceará, Tasso Jereissati, passe a adotar o mesmo comportamento de Covas. "Governar um estado pobre inibe a ação dele, mas está na hora de Tasso voltar para o debate nacional", afirmou Teotônio.

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