Saída de recursos externos de bolsas superou entradas
Saída de recursos externos de bolsas superou entradas15/Mar, 19:02 Por Gustavo Alves Rio, 15 (AE) - A saída de recursos externos nas bolsas brasileiras superou a entrada de dinheiro estrangeiro nestas aplicações, segundo o relatório da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) sobre o Anexo IV, dispositivo que regulamenta esta movimentação, divulgado hoje. O resultado é consequência da retirada de parte do grande volume de investimento estrangeiro feito nos três meses anteriores, aliado ao temor de uma nova alta dos juros nos Estados Unidos, segundo analistas do mercado. A CVM informou que entraram US$ 1,207 milhão para investimentos em bolsa no País, no mês passado. As saídas chegaram a US$ 1,399 milhão, o que gerou resultado negativo de US$ 191,25 milhões. O déficit acumulado no ano ficou menor, em US$ 141,25 milhões, por causa do saldo de US$ 50 milhões nas movimentações de janeiro. O gerente da área internacional do Banco Bozano, Simonsen, Roberto Campos Neto, afirmou que o saldo negativo de fevereiro não significa uma má notícia. Ele explicou que a movimentação é consequência do grande volume de investimentos estrangeiros feitos a partir de novembro no País. No mês passado parte destes investidores venderam as ações que haviam comprado depois de lucrarem com sua valorização, e remeteram o dinheiro de volta para o Exterior. "Temos de levar em consideração as contas desde novembro, quando entrou muito dólar", afirmou o economista. Nos três meses anteriores a fevereiro o volume de dinheiro que ingressou pelo Anexo IV foi de US$ 3,073 bilhões, e o de retiradas, de US$ 3,021 bilhões, e o saldo positivo acumulado chegou a US$ 51,42 milhões. Outra razão para o aumento da saída de recursos foi o temor dos investidores pelas consequências, no Brasil, de uma possível alta dos juros nos Estados Unidos, como vem sendo previsto pelo mercado a partir das declarações do presidente do Federal Reserve Board (FED), o banco central norte-americano, Alan Greenspan. "O Brasil vem fazendo o seu dever de casa", argumentou Campos Neto. "Houve piora das expectativas apenas no quadro internacional."





