Saída de Pinochet foi meticulosamente planejada De João Fábio Caminoto, Especial para a AE2/Mar, 15:23 Londres, 02 (AE) - A saída de Augusto Pinochet da Grã-Bretanha - onde permaneceu detido durante 16 meses -, foi meticulosamente planejada para ocorrer de forma rápida e segura. Duas horas depois do anúncio do ministro do Interior, Jack Straw, de que Pinochet não seria extraditado para a Espanha, o general saiu num comboio de carros, com forte escolta policial, rumo à base aérea de Waddington. Foram três horas de viagem. Dez minutos após a chegar à base e apenas cinco horas após o anúncio de sua libertação, o avião da Força Aérea chilena decolou rumo ao Chile transportando o ex-ditador. Instantes após o avião ter partido, o ministro Straw foi ao parlamanto explicar sua decisão. Após fazer um detalhado histórico do caso, Straw disse que tinha consciência de que a libertação de Pinochet significava uma grande frustração para as milhares de pessoas que sofreram torturas ou tiveram de se exilar durante a sua ditadura. Straw disse também que acredita que dificilmente Pinochet virá a ser julgado em outro país e que seu estado de saúde não permitia a sua extradição. No discurso, Straw concluiu que o caso servirá como legado para a justiça internacional de que ditadores não são impunes de seus crimes estejam onde estiverem. As justificativas de Straw não convenceram os oponentes de Pinochet, que foram às ruas de Londres desde o início da madrugada de hoje acompanhar o anúncio da decisão. Para eles, o governo britânico decidiu pelo caminho mais fácil, político, ao invés de continuar trilhando o caminho da Justiça. Já a maioria dos deputados do Partido Conservador, de oposição, saudaram a libertação mas não pouparam o ministro do governo trabalhista. Eles querem saber porque ele demorou tanto para tomar uma decisão final sobre o caso. Querem também que o governo informe exatamente quanto custou para os cofres públicos a manutenção de Pinochet desde outubro de 1998.