São Paulo, 16 (AE) - A maior perda, para a indústria automotiva, na reforma ministerial, foi a saída de Hélio Mattar, que ocupava a função de secretário de política industrial no Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio. Mattar era o principal interlocutor do governo numa série de discussões, que vinham ocorrendo simultaneamente, no setor: regime automotivo no Mercosul, programa de renovação da frota e até negociações de preços entre a indústria de peças e seus fornecedores.
O setor já havia sido convocado para uma reunião, no próximo dia 22, para a instalação do fórum de desenvolvimento da indústria automotiva. "Agora só nos resta tentar dar continuidade com o terceiro escalão do Ministério do Desenvolvimento, cujos integrantes são profundos conhecedores deste processo", disse o presidente do Sindicato Nacional da Indústria de Componentes Automotivos (Sindipeças), Paulo Butori.
O presidente da Federação Nacional da Distribuição de Veículos (Fenabrave), Hugo Maia, lamentou perder o interlocutor com que o setor havia somado dezenas de reuniões para tratar dos acordos emergenciais, que estão servindo de ponte para a criação do programa de renovação da frota, que vai tirar os carros velhos das ruas. O programa prevê incentivos fiscais do governo e descontos de preços a serem concedidos pelas montadoras.
O presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, Luiz Marinho, não acredita que o programa de renovação da frota possa estar ameaçado. "É um compromisso assumido pelo presidente Fernando Henrique", disse. "Quem sabe o novo ministro não convida Hélio Mattar para trabalhar com ele?", sugeriu.
Butori lembrou ainda que estava a cargo de Mattar também as negociações entre Brasil e Argentina para definir as regras do regime automotivo que vigorará a partir do ano 2000, quando se expira o atual elenco de regras. Na última reunião entre as indústrias automotivas do Brasil e da Argentina, bastante tumultuada em razão das divergências entre as partes, Mattar determinou que o governo se retiraria das discussões até a indústria se acertar, voltando a participar quando as partes trouxessem uma proposta.
De forma conciliadora, Mattar vinha participando de todas as discussões do setor e teve participação importante na renovação do acordo emergencial, fechado no final de maio. Desta vez, ao lado do governador de São Paulo, Mário Covas (PSDB), outra figura importante no processo. Recentemente Mattar foi chamado pela indústria de autopeças para ajudar a evitar o repasse imediato de custos.

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