Brasília, 02 (AE) - A saída de Francisco Lopes do Banco Central surpreendeu o mercado, mas alterou, por exemplo, a tendência natural de valorização do real - e queda do dólar - que se verifica desde segunda-feira. A moeda norte-americana, que na abertura do mercado era negociada a R$ 1,76, subiu até R$ 1,83 no decorrer do dia, mas recuou no fim do dia para R$ 1,75, queda de 9,9% em relação ao fechamento da véspera. Os principais índices das bolsas de valores recuaram, mas esse comportamento foi interpretado como realização de lucros após a arrancada dos preços das ações na véspera.
A tendência de queda da moeda americana, aliada à decisão do Banco Central de aumentar o limite máximo de envidamento em dólar dos bancos (posição vendida) derrubou, pelo segundo dia consecutivo, as cotações. Na semana passada, o governo já havia elevado o limite das posições vendidas em até 50%, percentual aplicado de acordo com o patrimônio líquido (PL) ajustado das instituições financeiras. Na segunda, o governo ampliou esse limite, permitindo que os bancos com PL acima de US$ 100 milhões passassem a ter individualmente limites de US$ 33,75 milhões para operar com dólar.
Se quando fez a primeira alteração o mercado questionou a eficácia da medida pela posição francamente compradora de dólares dos bancos e investidores, agora a situação se inverteu. Sem as pressões da semana passada que levaram o dólar comercial a ser cotado a R$ 2,15 e a alta avassaladora dos juros, o dólar está descendo a ladeira impulsionado pela possibilidade de os bancos tomarem mais recursos lá fora, permitindo as arbitragens entre taxas.
Outro fator que vem contribuindo para a queda do dólar é a certeza de que será adotado algum tipo de mecanismo para frear as disparadas da cotação da moeda norte-americana (overshooting). Operadores afirmam que está havendo entrada de recursos no País, embora seja difícil dimensionar os volumes. Mas percebe-se esse movimento porque alguns bancos estão atuando mais intensamente na venda de dólares.

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