Edson dos Santos Rodrigues, mais conhecido como 'Zoza', chegou ao Tribunal do Júri escoltado sob um forte aparato policial. Pelo menos três viaturas do pelotão de Choque do 5 Batalhão e outras duas do Departamento Penitenciário do Paraná (Depen) bloquearam parte da rua Senador Souza Naves para que o réu entrasse.

Imagem ilustrativa da imagem Saiba tudo sobre o julgamento de 'Zoza' em Londrina
| Foto: Fotos: Anderson Coelho



Ele é acusado de, junto com mais quatro pessoas, mandar matar cinco pessoas entre novembro de 2011 e 2012. Segundo o Ministério Público, quatro pessoas morreram. O único sobrevivente, Leandro Dalbello, também estará no júri desta quinta-feira. Ele está preso em Carazinho, no interior do Rio Grande do Sul.

Imagem ilustrativa da imagem Saiba tudo sobre o julgamento de 'Zoza' em Londrina



De acordo com a Polícia Civil, 'Zoza' ordenou os assassinatos de dentro da Penitenciária Estadual de Londrina. Atualmente ele está detido no presídio federal de Mossoró, no Rio Grande do Norte.

A juíza da 1 Vara Criminal, Elisabeth Kather, ordenou que todos os réus acompanhem o julgamento algemados. O júri é formado por quatro mulheres e três homens. Antes do início do julgamento, a juíza Elisabeth Kather entrou em embate com os advogados de defesa, que queriam conversar com os réus antes de tudo começar.

Imagem ilustrativa da imagem Saiba tudo sobre o julgamento de 'Zoza' em Londrina



O julgamento:

O delegado Paulo Henrique Costa, que comandava o setor de Homicídios da 10ª Subdivisão Policial na época, foi o primeiro a depor. Ele esclareceu que a primeira vitima, identificada como Josuel Alves, vulgo Pepeu, era comparsa de Zoza no tráfico. Ele ficou incumbido de entregar R$ 160 mil para outro traficante. No entanto, a Polícia Militar apreendeu o dinheiro durante uma abordagem na BR-369, na saída para Ibiporã. Mesmo preso, Zoza ficou sabendo que a transferência foi mal-sucedida e ordenou a morte de Josuel Alves.

O último assassinato foi de José Carlos Vieira. Segundo o delegado, ele prestou depoimento durante uma tarde inteira na Delegacia de Homicídios. Na ocasião, confirmou aos investigadores que estaria sendo ameaçado pelos comparsas de Zoza. Costa reiterou que chegou a oferecer proteção policial à Vieira, o que foi recusado. Na madrugada seguinte, ele foi morto com vários disparos de arma de fogo em sua residência.

O investigador Cláudio Santana, lotado na época na Delegacia de Homicídios, está prestando esclarecimentos agora. O único sobrevivente da série de ataques, Leandro Dalbello, que cumpre pena há seis meses em Carazinho, no interior do Rio Grande do Sul, disse que conhecia Zoza apenas de vista porque moravam no mesmo bairro, o Jardim Nossa Senhora da Paz. Dalbello também afirmou que não tem nenhum envolvimento com os demais réus. Ele estava no mesmo carro que Josuel Alves, o primeiro a ser assassinado. No depoimento, Dalbello reiterou que duas pessoas passaram de moto atirando. Ele avaliou que "mesmo preso, continua recebendo ameaças da polícia. Nunca tive desavença com o Zoza". Um parente de Zoza, arrolado como testemunha de defesa, começou a falar. O júri não parou para o almoço.

O réu Edson dos Santos Rodrigues, o Zoza, começou a ser ouvido por volta das 15 horas. Acusado de mandar matar cinco pessoas entre 2011 e 2012 em Londrina, ele negou ser o mandante dos homicídios. Zoza admitiu ter cometidos diversos furtos e ter envolvimento com o tráfico de drogas no Jardim Nossa Senhora da Paz, zona oeste de Londrina, mas disse que "nunca cometeu um assassinato ou mandou matar ninguém".

Questionado pela defesa, ele relatou ter tido uma infância difícil, com um pai que não tinha capacidade de ensinar a ele e ao irmão a diferença entre o certo e o errado. Mencionou três passagens por atos infracionais quando era adolescente. Após se estender ao detalhar sua vida, o Ministério Público interveio, pedindo objetividade.

O réu disse negar ter escrito de dentro da prisão uma carta encontrada em Cambé com um criminoso. Zoza está preso desde setembro de 2008, após ser condenado por coautoria da morte de um menino de 11 anos. Ele já teve passagens por penitenciárias de Londrina, Piraquara, Cuiabá e, desde 14 de março deste ano está detido no presídio federal de Mossoró, no Rio Grande do Norte.

Atualizada às 17h17. Leia Mais na edição desta sexta (18).

mockup