Sai primeiro volume da História Geral da América Latina
Paris, 29 (AE-ANSA) - Depois de nove anos de preparação, a Unesco lançou hoje o primeiro volume da História Geral da América Latina, que revoluciona a historiografia do continente por sua visão mais sociológica que nacional, mais científica que cronológica, centrada na análise das sociedades e não dos países.
Prevista para sair em nove volumes, a história das sociedades americanas começa com os povos originários procedentes da Eurásia.
O primeiro deles trata da extraordinária façanha de adaptação desses povos, que formaram civilizações muito diferentes, do ponto de vista cultural, técnico, político e religioso.
Dirigida pela historiadora mexicana Teresa Rojas Rabiela e pelo norte-americano de origem romena, John Murra, o volume um será seguido pelo dois, três e quatro em abril, junho e setembro de 2000.
Todos eles vão abordar a formação das novas sociedades e a consolidação da ordem colonial. O oitavo volume trata da América Latina no contexto da história universal, tornando-se um instrumento útil na percepção do conhecimento do novo continente.
A História Geral da Unesco, assinala a organização internacional em um comunicado, não pretende escrever "uma verdadeira história", mas pretende das as bases para uma reflexão, que sejam "fundamento da dinâmica de desenvolvimento e consolidação democrática" e "instrumento de orientação fututa".
O embaixador da Venezuela, Germán Carrera Damas, presidente do comitê científico que coordenou os trabalhos de mais de 200 historiadores latino-americanos, referiu-se à importância e atualidade de uma História Geral latino-americana dizendo que "na história não há passado, senão presente, e pode-se discutir tanto sobre a chegada do primeiro espanhol quanto sobre o destino de Pinochet, já que tudo isso se faz presente em nossa realidade". Segundo ele, a obra está livre de pressões oficiais ou ideológicas, e foi feita por historiadores dentre de um clima de liberdade.
Carrera Damas assinalou igualmente que nesta História Geral "não há piedade latino-americanista. Somos povos e nos estruturamos como nações. Somos estados com os mesmos problemas, vícios, virtudes e esperanças que os demais povos", acrescentou.
O volume das Sociedades Originárias será lançado oficialmente hoje à noite na seda da Unesco, na Assembléia Geral da organização.





