Sai laudo da bala que matou sem-terra
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quarta-feira, 10 de maio de 2000
Dimitri do Valle De Curitiba 
O laudo do exame de balística de quatro armas da PM usadas no confronto que matou um agricultor será divulgado esta tarde. A informação foi confirmada ontem pela assessoria de imprensa da Secretaria de Segurança Pública. Um revólver calibre 38 e três carabinas da marca Rossi foram periciadas no Instituto de Criminalística.
O coronel Elói Antônio dos Reis disse que a perícia confirmou que os restos de um projétil removido do corpo do agricultor Antônio Tavares Pereira, 38 anos, permitem a identificação da arma que o disparou. Reis preside o Inquérito Policial Militar (IPM) para apurar a morte de Pereira e as circunstâncias dos confrontos entre policiais militares e sem terras na BR-277, há nove dias.
De acordo com o coronel, as armas recolhidas pela perícia pertenciam a policiais do Regimento de Cavalaria, 12º e 17º batalhões. Torço para que a bala tenha saído de uma destas armas porque a Polícia Militar não quer esconder a verdade, comentou. Apontados inicialmente como suspeitos do disparo fatal, os policiais rodoviários que participaram do confronto foram excluídos de qualquer responsabilidade.
As armas dos policiais rodoviários foram descartadas pelos peritos, explicou o coronel. As armas seriam da marca Taurus, classificadas como incompatíveis com a bala que está sendo analisada no IC. Reis trabalha com várias hipóteses para tentar descobrir o que aconteceu. A principal é de que os policiais atiraram diante de uma situação desesperadora.
Eles foram atacados com foices. Ali não era uma situação de legítima defesa ou de cumprimento legal do dever, foi estado de necessidade. Os policiais são muito mais vítimas do que autores, disse Reis. O coronel reconheceu que pode ter havido excessos por parte dos PMs, mas iguala esta suspeita a de que o disparo foi provocado por uma pessoa que não era policial. Em tese, o presidente do IPM não descarta ainda a possibilidade de um PM ter usado uma arma particular, o que transgride as normas disciplinares da corporação. O IPM tem prazo de 40 dias para ficar pronto, com previsão de prorrogação por mais 20 dias.
Na noite de ontem foi celebrada uma missa em memória de Pereira na Catedral Basílica Metropolitana de Curitiba. Roberto Baggio, integrante da coordenação estadual do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), disse que a morte de um militante era esperada para mais cedo ou mais tarde no Estado. Baggio culpou a truculência policial pela morte do agricultor.
O advogado Darcy Frigo, da Comissão Pastoral da Terra (CPT), se mostrou preocupado com a forma como a Polícia Militar irá agir em futuras ações de desocupações. Frigo acha que a repercussão da morte de Pereira será alvo de vingança da PM que pode plantar armas e drogas nas áreas invadidas com a finalidade de desmoralizar o MST.
O coronel Elói Reis acusa o movimento de tentar jogar a PM contra a opinião pública. Eles precisavam de um mártir, estão fazendo missa e colocando cruz para fortalecer o movimento. Ao mesmo tempo em que critica as posições políticas do MST, o coronel defende a importância da organização para o País. O sofrimento é geral, a reforma agrária está atrasada há mais de 100 anos. Sem um movimento social, a nação fica parada. Eles são fundamentais, assim como os caminhoneiros e a Contag (Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação.


