Lome, Togo, 07 (AE-AP) - O presidente de Serra Leoa, Ahmed Tejan Kabbah, e o líder da Frente Unida Revolucionária, Foday Sankoh, assinaram um acordo de paz nesta quarta-feira (07)
colocando um fim a oito anos de uma das mais sangrentas guerras civis do mundo. A guerra em Serra Leoa já resultou no assassinato de dezenas de milhares de pessoas e inúmeros atos de mutilação, sequestro e estupro. Além disso, mais da metade dos 4 7 milhões de habitantes do país foram deslocados de seus locais de origem para fugir do combate. O acordo concede aos rebeldes a participação no governo de Serra Leoa e a anistia para aqueles que cometeram crimes de guerra. A formalização do mesmo ocorreu numa cerimônia pública realizada na cidade de Lome, capital de Togo, após uma reunião de cúpula entre os líderes regionais. Kabbah prometeu que este acordo - o segundo em três anos - será o último. "Assinei o tratado como presidente de Serra Leoa, no entanto, mais importante que isso, o fiz pelas centenas de crianças do meu país", disse, erguendo aos braços uma criança de dois anos de idade com um dos braços amputado pelos rebeldes. Até momentos antes da cerimônia, ambos os líderes estudaram minuciosamente os documentos. Os presidentes da Nigéria, Burkina Faso, Libéria e Togo assinaram o documento como testemunhas. No entanto, ainda não se sabe se o acordo - que coloca um fim formal à guerra civil - será aceito pelos combatentes de Serra Leoa e pela população. Um dos mediadores africanos, o ministro das Relações Exteriores de Togo, Joseph Koffigoh, alertou que o preço do fracasso será grande. "A melhor garantia é a renovação da confiança nos corações dos líderes e da população. O povo de Serra Leoa está saturado da guerra e todas as regiões cansadas da luta", disse Koffigoh.

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