Viena, 01 (AE-AP) - Desafiando a União Européia (UE) e os Estados Unidos, o líder conservador austríaco Wolfang Schuessel concluiu nesta terça-feira (01) negociações com o neonazista Joerg Haider sobre um programa conjunto para governar a áustria que será apresentado amanhã ao presidente Thomas Klestil.
Caberá ao chefe de Estado - que não pediu a nenhum deles a formação de um governo, como manda a constituição - decidir o próximo passo. Pela manhã, Klestil havia se reunido com o chanceler social-democrata demissionário Viktor Klima e Schuessel, que acumula os cargos de ministro das Relações Exteriores, vice-chanceler e presidente do Partido Popular Austríaco (OEVP).
Ao fim desse encontro, Schuessel procurou tranquilizar os demais países da UE: "Levamos em consideração as preocupações dos parceiros europeus, mas a melhor maneira de acabar com os temores é apresentar um programa de governo razoável."
No fim da noite, depois de exaustiva negociação com Haider, chefe do Partido da Liberdade (FPOE), ele disse: "Chegamos a um acordo sobre um programa de reformas, que vamos submeter ao presidente amanhã."
Ex-aliado político dos social-democratas, Schuessel reconheceu que enfrenta uma situação singular, pois não recebeu mandato do presidente para formar um governo. "Não sei como esta situação irá evoluir", ressaltou, para lançar uma espécie de alerta a Klestil: "Nas eleições de 3 de outubro (vencidas pelo Partido da Liberdade, com 30% dos votos), os austríacos deixaram claro que queriam uma mudança e aqui temos algo novo." Se o presidente aprovar o programa, Schuessel chefiaria o novo governo.
Apoiada agora também pelo governo dos Estados Unidos, a UE reiterou ameaças de isolar a áustria se o governo do país vier a ser controlado pela extrema direita racista e xenófoba de Haider.
"Essa decisão dos Estados da UE foi adotada sem ouvir a áustria e contradiz o espírito dos tratados europeus", reagiu Schuessel. "Asseguro que a áustria jamais abandonará o caminho da integração européia."
O neonazista Haider marcou sua trajetória política com um discurso favorável à expulsão da "superpopulação estrangeira" do país e contrário à expansão da UE. Ele dirige frequentes ataques corrosivos contra os sócios europeus do país, principalmente França e Bélgica.
Hoje, a Comissão Européia (órgão executivo da UE) manifestou apoio integral a um isolamento político da áustria caso o partido de Haider assuma. E o primeiro-ministro português, Antonio Guterres, que exerce a presidência rotativa da UE, voltou a advertir o presidente austríaco, Thomas Klestil.
Em resposta, Klestil exigiu que a áustria seja tratada como um membro soberano da instituição.
Os EUA, num comportamento inédito perante o tradicional aliado europeu, manifestaram integral solidariedade à UE na questão. "A entrada do Partido da Liberdade num governo austríaco vai afetar nosso relacionamento bilateral", advertiu o porta-voz do Conselho de Segurança Nacional dos Estados Unidos, David Leavy. "Se isso ocorrer, vamos considerar a adoção de passos idênticos aos dados pelos governos europeus."

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