Safra menor nos EUA favorece suco nacional
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quarta-feira, 11 de agosto de 1999
Por Lucia Monteiro 
São Paulo, 12 (AE) - O presidente da Associação Brasileira dos Exportadores de Cítricos (Abecitrus), Ademerval Garcia, afirmou que a estimativa de safra da Flórida, divulgada hoje pela analista Elisabeth Steger, de 193 milhões de caixas, ficou muito abaixo do esperado, pois algumas projeções chegavam até 230 milhões de caixas. O próprio Garcia trabalhava com a estimativa de produção da Flórida de 212 milhões de caixas.
Na opinião de Garcia, a estimativa é importante, pois indica o segundo ano consecutivo de safra pequena nos Estados Unidos. "A resposta do mercado a essa estimativa será muito interessante", disse ele. Outro fator que deve favorecer a firmeza do mercado e o fortalecimento dos preços.
Ele ponderou, no entanto, que os estoques de suco de laranja do Brasil e nos EUA estão muito altos e não permitirão um aumento muito acentuado nos preços. Garcia afirmou que, com a perspectiva de menor safra na Flórida, as exportações de suco para os EUA devem aumentar e os estoques brasileiros devem ser consumidos mais rapidamente do que se previa.
Segundo Garcia, ainda é cedo para pensar em um maior preço da laranja ao produto, pois ainda não dá para saber se as cotações do suco se manterão em alta. O fato de os futuros estarem subindo 1.000 pontos em Nova York não significa muito, segundo ele.
"Essa é uma reação emocional", disse ele. Como os contratos do suco são de longo prazo, os preços não reagem tão rapidamente as oscilações do mercado futuro às previsões de safra.
Preços - Na opinião de Antonio Adalberto Fiorezi, presidente da Comissão Técnica de Citricultura da Federação da Agricultura do Estado de São Paulo (Faesp), acredita que a alta nos futuros do suco de laranja deve se incorporada aos preços da laranja ao produtor.
"O que nos preocupa é a previsão da indústria de moer os mesmos 280 milhões de caixas do ano passado, mesmo com a safra maior deste ano", disse Fiorezi, referindo-se à safra brasileira.
Fiorezi acredita que a nova previsão deve melhorar a situação de cerca de 50% dos produtores, que ainda estão sem contrato fechado. "Eles podem ter um maior poder de barganha", disse Fiorezi.
Ele afirmou, no entanto, que a impressão que fica, depois da reunião de ontem (11) da Câmara Setorial de Citricultura, é de que as indústrias não vão repassar nada além dos R$ 2,50 a caixa, que estão sendo pagos atualmente.
O analista Maurício Mendes, da empresa Mendes & Scotoni Associados, acredita que a previsão de uma safra menor na Flórida deve mudar o atual cenário dos preços ao produtor. Entretanto, diz ele, "é preciso em primeiro lugar ver como as indústrias reagirão".


