Rio, 29 (AE) - A safra agrícola nacional vai bater um novo recorde este ano, atingindo 82,39 milhões de toneladas, segundo previsão do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) . O volume anual mais próximo a este resultado foi em 1995 - ano que refletiu fortemente os efeitos do Plano Real com melhores investimentos no setor - quando a produção chegou a 79,3 milhões de toneladas.
O saldo da produção ainda não traz o impacto da desvalorização cambial, como informou o chefe do Departamento de Agropecuária do IBGE, Carlos Alberto Lauria, que prevê para o ano que vem as consequências do aumento de custo dos insumos agrícolas. Quando a política cambial foi alterada, em janeiro, os fertilizantes e demais produtos para garantir a qualidade do plantio já estavam comprados.
A produção de arroz, que registrou crescimento de 52% em relação à safra do ano passado, foi um dos itens que mais contribuíram para a elevação da safra. Segundo análise do IBGE, isto se deve principalmente à recuperação do Rio Grande do Sul, que em 98 sofreu muito com as chuvas, e à melhor produção no Nordeste. "Este ano não teremos necessidade de importar nem arroz nem feijão", disse Lauria, lembrando dois produtos de alto consumo interno que tiveram de ser comprados de outros mercados.
Para Lauria, estes fatores devem contribuir para melhorar a balança comercial, mesmo que as exportações não cresçam o esperado. "O fato é que vamos importar bem menos", garante. Já com relação ao trigo, a produção ficou em torno de 2 3 milhões de toneladas, enquanto o consumo atual é de 8,5 milhões. "Com o trigo, não tem jeito: ainda vamos ter de comprar e muito." Segundo avaliação do IBGE, a produção agrícola recuperou este ano todas as perdas verificadas pelos problemas climáticos do ano passado e até cresceu um pouco. A safra deste ano vai registrar um aumento de 9,6% em relação à do ano passado. Em 1998, as perdas, especialmente com as chuvas no Sul e a seca do Nordeste, ficaram em torno de 38%.
O crescimento no Nordeste este ano foi de 47% devido à situação climática de maior normalidade. Nas demais regiões, o crescimento foi de 6,7%. A produção nacional de soja, apesar de ter caído 1,5%, deve ainda ajudar na pauta de exportações. Neste caso, o resultado só foi menor do que o de 98 por uma opção dos agricultores, que preferiram investir em outras culturas, como algodão e milho, cujos preços internacionais apresentavam mais vantagens.

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