São Paulo, 26 (AE) - A safra agrícola de verão do Paraná deve atingir uma produção de 17 milhões de toneladas em 98/99, um crescimento de 5% em comparação ao volume produzido em 97/98, de 16,190 milhões de t, segundo projeção do Departamento de Economia Rural (Deral) da Secretaria de Agricultura do Paraná.
Os técnicos do Deral ponderam, contudo, que a concretização dessa estimativa vai depender do desempenho da segunda safra de milho, a chamada safrinha. "O clima não está favorecendo o milho safrinha", afirmou a engenheira agrônoma Vera Zardo, do Deral.
Além de geadas prematuras e das baixas temperaturas que afetaram as lavouras, a falta de chuvas também preocupa em relação ao milho safrinha. Por conta de geada ocorrida em 18 de abril, o Deral reduziu a estimativa de produção para a safrinha em 5% - inicialmente a projeção era produzir 2,650 milhões de t e agora é 2,550 milhões de t.
Mas o departamento revisou para cima a estimativa de área plantada com milho safrinha, para 927 mil hectares contra uma projeção anterior, divulgada em abril, de 881.600 hectares. Em 98, a área de safrinha de milho foi de 771,9 mil hectares, isto é, o plantio cresceu 20,08% este ano.
Segundo Vera Zardo, este ano houve plantio de safrinha fora de época e em áreas marginais, o que aumenta os riscos para a cultura. Hoje, 80% das lavouras de milho - em fase de desenvolvimento vegetativo, floração e frutificação - estão suscetíveis a problemas climáticos, segundo o Deral.
De acordo com Vera, mesmo as regiões em que não foram registradas geadas podem ter sido afetadas, uma vez que o frio paralisa momentaneamente o desenvolvimento da cultura. As projeções divulgadas hoje ainda não consideram os efeitos da escassez de chuvas no estado. De acordo com Vera Zardo, há regiões produtoras sem chuvas há mais de 20 dias.
Trigo - A área de milho safrinha no Paraná cresceu este ano em detrimento da de trigo, que recuou 18,46%, segundo a projeção do Deral. A estimativa é de que a área atinja 735 mil hectares contra 901.345 hectares em 98.
Segundo Vera Zardo, a redução da área de trigo este ano no Paraná é reflexo do aumento do custo de produção, do desestímulo do produtor em relação ao preço mínimo definido para o cereal, de R$ 185,00 por tonelada, e das perspectivas desfavoráveis para a comercialização. Além disso, os preços do milho nesta safra se mostram mais atrativos para o produtor.
De acordo com Vera Zardo, o plantio de trigo atingiu até agora 70% da área estimada. Segundo ela, a atual escassez de chuvas também pode afetar o plantio da cultura.
O Deral também informou hoje que 80% das lavouras da safra de verão do Paraná foram colhidas até agora e que a comercialização atingiu 52%. A colheita da soja, que teve recorde de produção pelo quinto ano consecutivo, já foi finalizada, totalizando 7,7 milhões de t.
Na avaliação do departamento, o recorde de produção foi resultado da utilização de tecnologia e do clima favorável. A produtividade média atingida este ano, também recorde, foi de 2 8 mil quilos por hectare.
Segundo o Deral, cerca de 62% da safra de soja do Paraná já foi comercializada, e a receita obtida até agora aponta para um faturamento bruto de R$ 1,8 bilhão, 21% superior à safra anterior.
Milho - Para o milho da safra de verão, o Deral está estimando uma produção de 5,7 milhões de t, uma aumento de 6,5% em relação a 97/98, quando foram colhidas 5,4 milhões de t. De acordo com o departamento, a colheita atingiu até agora 91% da área plantada, com uma produtividade média estimada de 3.800 quilos por hectare contra 3.700 quilos por hectare em 97/98.
O levantamento informa ainda que a comercialização da safra de milho de verão atingiu cerca de 60%.
Feijão - O clima prejudicou a produção de feijão no Paraná este ano, cuja área das três safras plantadas no Estado cresceu 20% em relação a 97/98, para 680 mil hectares. Segundo o Deral, das três safras - das águas, da seca e de inverno -, as duas primeiras foram prejudicadas.
Apesar disso, a produção nas três safras deve ser 7,5% maior que em 97/98, somando 530 mil t contra 493 mil t anteriores. De acordo com o Deral, o feijão das águas teve quebra de 22% em relação à estimativa inicial, com uma produção de 406 mil t, por causa do excesso de chuvas em setembro e outubro do ano passado.
O feijão da seca foi prejudicado pela geada ocorrida em abril, com uma quebra de 37% na produção, que deve ficar em 114 mil t.
O Deral informou ainda que as lavouras de algodão registraram bons níveis de produtividade nesta safra, uma média de 2.090 quilos por hectare, um aumento de 39% em relação a 97/98. A colheita do algodão no Paraná atingiu 98% da área de plantio estimada de 49 mil hectares, e a estimativa de produção é de 102 mil a 103 mil t toneladas.
Receita - A Secretaria de Agricultura do Paraná estima que a receita gerada com a safra prevista de 17 milhões de t pode totalizar R$ 3,79 bilhões, 15% superior a 97/98. O secretário da Agricultura, Antônio Poloni, prevê que haverá "uma injeção extra de R$ 512,6 milhões na economia em comparação a 1998". Segundo Poloni, caso os números do Deral se confirmem, a produção será recorde, "influenciando positivamente o desempenho do Produto Interno Bruto (PIB) paranaense".
O secretário avalia que o crescimento de 1,02% no PIB do País no primeiro trimestre do ano em comparação ao último trimestre de 98 "já foi estimulado pelo bom desempenho da safra paranaense e pela antecipação da comercialização da soja", segundo comunicado divulgado pela assessoria de imprensa da secretaria.

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