Rio, 29 (AE) - A safra de grãos deste ano pode chegar a 83,670 milhões de toneladas, informou hoje o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O volume é 1,33% maior do que o do ano passado e se confirmado vai significar um novo recorde da agricultura brasileira. Mas o diretor de Pesquisas do Departamento Agropecuário, Carlos Alberto Lauria, afirmou que o número foi parcialmente baseado em simulações de alguns produtos, e ainda não levou em conta os efeitos da estiagem na região Sul.
Ele avisou que a estimativa deve sofrer reformulações, como normalmente acontece. No ano passado, por exemplo, o IBGE previu, no início do ano, uma safra de 79 milhões de toneladas de grãos - e a produção foi maior, de 82,568 milhões. O Levantamento Sistemático da Produção Agrícola (LSPA) de janeiro, feito pelo instituto, também não apontou redução na área plantada, em comparação com o ano passado, informou Lauria.
A estimativa do IBGE foi realizada com simulações para culturas de inverno (trigo, aveia, centeio e cevada) e a segunda e terceira safras do ano de alguns produtos, que ainda não permitem o cálculo do seu resultado. "Tivemos de replicar os resultados do ano passado", contou Lauria. Além disso, algumas produções no Nordeste foram estimadas com base na intenção de plantio informada pelos agricultores.
O LSPA destacou o aumento da produção do algodão herbáceo (12,09%), feijão em grão de primeira safra (3,17%), milho em grão de primeira safra (2,43%) e soja (2,71%). O arroz em casca deve ter redução de 5,06% na sua cultura, por causa da falta de estímulo para o plantio com os preços baixos do produto
informou o IBGE.
Para o economista Fábio Silveira, da consultoria Tendências, a estiagem na região Sul deve causar a redução na produção do milho. Ele lembrou que, de fevereiro do ano passado para este ano, o preço do produto, segundo a Bolsa de Cereais de São Paulo, aumentou 60% - o que não combina com a projeção de aumento. Para Oliveira, o lógico é esperar uma queda.
"A estiagem ainda não bateu no levantamento do IBGE", afirmou o economista da Tendências. Ele avisou que a queda na oferta do cereal, um custo importante para o preço das carnes, pode representar um "pequeno foco" de pressão sobre a inflação no segundo semestre. A preocupação permaneceria, mesmo com a intenção de o governo de importar milho para estabilizar o mercado, alertou.
Feijão - O bom desempenho de Estados do Nordeste e do Centro-Oeste vão compensar a redução da safra de feijão no Paraná e no Rio Grande do Sul por causa das condições climáticas
de acordo com o IBGE. Na Bahia, as 24 cidades da região de Irecê, município com a maior produção do grão no País, tiveram bons resultados em janeiro, ao contrário de anos anteriores, quandos as chuvas foram insuficientes. Por estes fatores, o instituto prevê uma safra de 1,372 milhão de toneladas.

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