Rio, 18 (AE) - A safra de café brasileira pode chegar a 43,7 milhões de sacas entre os anos de 2000 e 2003, conforme avaliação do pesquisador José Braz Martiello, do ProCafé. Este número é apresentado como potencial máximo de produção neste período. A produção mínima, no mesmo intervalo de tempo, pode chegar a 24,5 milhões de sacas, o que daria uma média de produção de 34,2 milhões de sacas entre 2000 e 2003. Martiello apresentou hoje um painel sobre perspectivas para a produção brasileira de café, no último dia do Seminário Internacional do Café que acontece no Rio.
Martiello acredita que a safra deste ano deva mesmo ficar em 23,5 milhões de sacas, conforme previsão da Embrapa. "Ela pode aumentar um pouco, coisa de 1 milhão de sacas", disse. As perspectivas de aumento de produção para os próximos anos se devem a uma entrada em produção de cerca de 1/3 dos novos pés de café plantados no País.
De acordo com o pesquisador, atualmente o parque cafeeiro brasileiro possui um total de 4,780 bilhões de pés de café, sendo que 3,460 bilhões são adultos e 1,320 bilhões novos, entre 1 e 3 anos de vida. A área total de cultivo do café é de 2 2 milhões de hectares. "Isto dá uma densidade média de 2 mil plantas por hectare e a tendência é aumentar", avalia.
A expansão nos últimos cinco anos, conforme apurou o pesquisador, foi de 1,6 bilhão de pés no País, o que consumiu investimentos da ordem de US$ 1,5 bilhão. Outros US$ 1 bilhão foram investidos em recuperação das lavouras.
Com o aumento da produção, Martiello ressalta que a produtividade também deve sofrer um acréscimo. A média de 1998/99 foi de 13 sacas por hectare, e poderia ser alterada para 16 sacas por hectare, no período de 2000 a 2003.
O consultor Leon Yaluz, que também participou do Seminário Internacional de Café, aposta que a safra brasileira de café possa ultrapassar as 40 milhões de sacas nos próximos anos. "Isto pode acontecer nos próximos 10 anos mas a um custo também mais elevado", ressalta.
Para a safra 1999/2000 o consultor acredita que o País produzirá, no mínimo, 25,2 milhões de sacas e, no máximo, 26,4 milhões. Segundo Yaluz ainda não há nenhuma previsão para as próximas safras. "Voltarei às lavouras no final de junho", disse.
Críticas - Yaluz foi duramente criticado por alguns participantes do seminário, que discordaram de suas previsões. O pesquisador se recusou a apresentar sua metodologia de trabalho.
Um dos críticos foi o pesquisador científico, Luiz Moricochi, do Instituto de Economia Agrícola da Secretaria de Agricultura e Abastecimento de São Paulo. "Ele não apresentou a metodologia porque não tem", frisou.
Yaluz evitou comentar, dizendo apenas que seu parâmetro é o mercado, e que seus levantamentos podem ser usados ou não. Até este ano as análises de Yaluz eram utilizadas pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) para sua previsão de safra de café brasileira.
Alguns produtores que estavam presentes à palestra também criticaram Yaluz. "Ele diz que percorre 5 mil quilômetros pelo interior do País mas ninguém nunca o vê", ironizou um produtor que não quis ser identificado.

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