Rio, 09 (AE) - Os aumentos de preços do anticoncepcional Femina, da Aché, e do Pilodel, remédio da Brasterápica contra queda de cabelo, vão ser investigados pela Secretaria de Acompanhamento Econômico (SAE), para apurar se houve indícios de abuso de poder econômico. O anticoncepcional teve um reajuste de 59,86% entre fevereiro e abril, e o Pilodel aumentou 49,48% no mesmo período.
Os dois remédios fazem parte de uma lista de 41 medicamentos que tiveram reajustes de até 42% em abril, elaborada pelo Conselho Regional de Farmácia do Distrito Federal (CRF-DF). Eles serão investigados porque sofreram aumentos de fevereiro para março, ao contrário dos outros produtos da relação, que não tiveram reajustes no período. No mês passado, o Femina teve aumento de 26,39%, e o Pilodel, de 4,64%.
Em relação aos aumentos dos outros medicamentos da lista
a SAE informou que o grupo não representa a tendência do mercado. Segundo Considera, os remédios relacionados pela CRF-DF representam menos de 0,5% do faturamento das farmácias. "Embora os percentuais relacionados sejam elevados, especialmente por tratar-se de medicamentos, pode-se afirmar que a quase totalidade destes medicamentos é importada pronta, e, portanto, seus preços tiveram um impacto expressivo da variação cambial", afirma a nota.
Dólar - O impacto da alta do dólar nos preços dos remédios manteve-se atenuado em abril, e os reajustes em maio destes produtos devem ser reduzidos, segundo informou hoje a SAE. Nota divulgada pela secretaria mostrou que o setor farmacêutico repassou uma variação de câmbio de 12,4% para os preços dos remédios produzidos a partir de matéria-prima importada, e 18,2% no caso dos medicamentos importados prontos.
De acordo com dados da secretaria, os 100 medicamentos mais vendidos tiveram aumento de 2,80% em março, e de 3,02% em abril. Para a SAE, os índices demonstram que a maior parte da indústria aderiu ao critério de corrigir o preço dos remédios pela cotação de R$ 1,70 por dólar.
"Considerando que o repasse de câmbio nos medicamentos importados prontos já utilizou a cotação de R$ 1,70 para o dólar e se encerrou nesta etapa, pode-se prever uma pequena redução no reajuste médio em maio", afirma o secretário de Acompanhamento Econômico, Cláudio Considera, no comunicado.

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