Dubai, 03 (AE-ANSA) - Qusai Hussein, o filho mais novo do presidente iraquiano, Saddam Hussein, tornou-se hoje (03) o "número dois" do regime de Bagdá ao receber de seu pai amplos poderes para utilizar em caso de emergência.
Saddam criou para seu filho, de 33 anos, um "organismo decisório", uma espécie de comitê que, em caso de necessidade, o ajude a dirigir o país, teriam dito "fontes iraquianas informadas em Amã", segundo um conceituado diário árabe.
A notícia foi confirmada ao mesmo jornal por "fontes oficiais iraquianas anônimas", que entretanto negaram que ,apesar dos amplos poderes que foram conferidos a Qusai, ele seja para todos os efeitos o sucessor do presidente.
O comitê criado pelo líder iraquiano inclui os máximos conselheiros e vice-presidentes de Saddam, entre eles Izzat Ibtrahim al-Douri, Taha Yassim Ramadan e Tareq Aziz, além dos ministros da Defesa, do Interior e os mais altos dirigentes de segurança e dos serviços secretos.
Há muito se sabia que Saddam tinha perdido a confiança em Udai, seu primogênito, dois anos mais velho que Qusai. Udai é considerado inquieto, violento e arrogante, sobretudo desde quando ficou gravemente ferido num atentado em 1996.
Durante anos Udai viveu em Bagdá como se fosse o chefe de Estado, acompanhado por vários veículos blindados e guarda-costas, e muitas vezes criticou publica e asperamente os mais altos dirigentes do Estado, excluindo seu pai.
Udai foi chefe da segurança até que em 1996 escapou milagrosamente de um atentado com granadas que o deixou com graves ferimentos, alguns dos quais provocaram danos permanentes.
Desde então tem se dedicado a dirigir o diário Babel e o comitê governamental para a juventude e o esporte, que inclui também o Comitê Olímpico Iraquiano.
Qusai, ao contrário, parece ter uma personalidade totalmente oposta. Mas apesar de ser considerado mais discreto e reflexivo, diários árabes o descrevem como "ainda mais brutal que Udai".
Em uma biografia de Qusai publicada pelo Asharg al Awsat, o diário escreveu que quando o filho de Saddam tinha 13 anos foi ver com o pai, de trás do pelotão, o fuzilamento de funcionários do Estado que se opuseram à ascensão ao poder do líder, em 1979.
Poucos anos depois, Qusai começou a escalar o poder, e há apenas um mês foi nomeado chefe de um novo departamento encarregado de organizar operações militares para eliminar "infiltrados e agentes" da oposição.
Aparentemente, agora Qusai está no "trampolim" para dar o salto final até o topo do poder.

mockup