Sacoleiros destruíram mercadorias, atearam fogo em caixas de papelão e quebraram os vidros da aduana Brasil-Paraguai, ontem pela manhã, na Ponte da Amizade, em Foz do Iguaçu. O tumulto aconteceu depois que 23 ônibus com contrabando foram retidos e os passageiros informados da apreensão total dos produtos que se encontravam nos veículos.

Irritados com a demora na fiscalização - a retenção foi anteontem à noite - e a perda das mercadorias, cerca de 100 sacoleiros tiraram os produtos dos bagageiros, jogaram no asfalto e, sob o teto da aduana brasileira, atearam fogo nas caixas. Os fiscais acabaram liberando os ônibus antes que o reforço policial chegasse, para evitar que eles cumprissem a promessa de queimar a aduana. Não houve presos nem feridos.

A fiscalização faz parte da operação de repressão ao contrabando que envolve, além da Receita Federal, as polícias Federal, Rodoviária Federal e Militar. O trabalho está sendo feito por 250 agentes e policiais também ao longo da BR-277, única via terrestre de acesso à fronteira.

Mesmo com o protesto a fiscalização foi mantida na aduana, com apreensão do excedente dos US$ 150 de isenção para bagagem acompanhada. A operação vai se estender durante o fim de semana. O volume apreendido até ontem já era tão grande que os fiscais passaram a armazenar as mercadorias em contêineres para não sobrecarregar ainda mais o depósito da Receita.

Lojistas do Paraguai temem uma retração nas vendas de Natal por causa da operação. Esse é o melhor período para o comércio, tanto que há dois meses os paraguaios fecharam a fronteira para pedir o adiamento da reforma da Ponte da Amizade, para não prejudicar as vendas natalinas. As obras foram adiadas, mas o fluxo de sacoleiros ainda é baixo, por causa da alta do dólar, que determina os preços no comércio local.

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