Sacoleiros fecham fronteira e pedágio
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 04 de outubro de 2002
Alexandre Palmar<br>Equipe da Folha 
Foz do Iguaçu Centenas de sacoleiros foram às ruas ontem para exigir o fim da operação especial de combate ao contrabando na fronteira, coordenada pela Receita Federal. Depois de quatro dias acuados em hotéis, os compristas fecharam, de manhã, um viaduto de acesso a Ponte da Amizade (Brasil/Paraguai) e, à tarde, a praça de pedágio de São Miguel do Iguaçu (43 km ao norte de Foz do Iguaçu).
Desde terça-feira, a ''Operação Fim de Ano'' colocou agentes e policiais de oito órgãos federais e estaduais em pontos estratégicos da tríplice fronteira para evitar o contrabando e descaminho de mercadorias compradas em Ciudad del Este (Paraguai). Revoltados, cerca de 600 compristas fecharam, às 9 horas de ontem, o viaduto de acesso à Ponte da Amizade e queimaram pneus e madeira. Depois, caminharam até o trevo de entrada da cidade. No percurso, receberam apoio de mototaxistas que agenciam travessia de sacoleiros ao país vizinho.
O acordo feito às 11 horas com o inspetor da Polícia Rodoviária Federal (PRF), Fernando Miranda, para a liberação da pista foi a origem do problema que iria acontecer à tarde. O policial prometeu que o comboio, com mais de 200 ônibus, sairia de Foz sem que os veículos fossem vistoriados. O pacto foi quebrado com a apreensão dos últimos 20 ônibus da fila no posto de fiscalização de Santa Terezinha de Itaipu (25 km ano norte de Foz).
Em reação, os compristas interditaram, às 15h15, as sete cabines do pedágio administrado pela concessionária Rodovia das Cataratas S.A. Os funcionários deixaram o local. O clima ficou tenso. Quem tentou furar o bloqueio recebeu ameaças de ter o veículo apedrejado. Mais pneus foram queimados, enquanto cones de segurança eram derrubados.
A praça foi desocupada às 16h45, depois da liberação dos ônibus apreendidos e de uma conversa entre a coordenação do manifesto e o promotor público de São Miguel, Haroldo Nogiri. ''Estamos aqui porque perdemos o emprego e fomos empurrados para a informalidade'', argumento um dos porta-vozes do movimento, um sacoleiro que preferiu ser identificado apenas como ''Tião''. O fechamento da praça gerou uma fila de pelo menos oito quilômetros. Os ônibus deixaram o local sem pagar pedágio.


